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Correio da Manhã

Portugal
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ASSASSINOU MULHERES POR CIÚMES

O indivíduo de 60 anos que assassinou a tiros de caçadeira a mulher e a sogra, na sexta-feira, pelas 21h45, em Casais de Baixo, Maiorca, na Figueira da Foz, terá agido por ciúmes, consumando ameaças que eram conhecidas pelas autoridades policiais.
4 de Janeiro de 2004 às 00:00
Segundo Paula Oliveira, de 23 anos, filha e neta das vítimas, António Silva Santos, conhecido por ‘Temba’, “foi sempre muito ciumento”, costumava vigiar a mulher e acusava-a de ter amantes. As discussões entre o casal eram constantes e nos últimos meses terá havido ameaças de morte que constam de queixas apresentadas na GNR de Maiorca.
O casal vivia em comum há 15 anos, mas só em Março do ano passado é que oficializaram a relação, o que não melhorou o ambiente entre o casal. “A minha mãe queria separar-se e mandava-o embora de casa quando era ameaçada de morte”, contou a jovem.
António Santos é motorista da Câmara da Figueira da Foz e estava há algum tempo de baixa médica e à espera da reforma. Costumava ocupar os tempos livres na caça, razão pela qual tinha uma arma caçadeira em casa. Na sexta-feira à noite, usou-a para matar a mulher, Maria Manuela Correia Pinto, de 41 anos, funcionária da Câmara da Figueira da Foz, e a sogra, Maria Emília Gouveia, de 67 anos.
Paula Oliveira ouviu o estrondo e ao aperceber-se que a mãe, que estava sentada na cama a fazer renda, tinha sido atingida a tiro saiu para a rua a pedir socorro. A avó correu em seu auxílio e foi assassinada ao subir as escadas.
“Ele ainda me apontou a arma, mas a minha menina, que estava sentada na cama a brincar, viu e deitou-se a chorar, então ele virou-se para mim e disse que só não me matava por causa dela, que só tem 18 meses”, contou Paula Oliveira.
Após cometer os crimes, António Santos dirigiu-se, a pé e de arma na mão, para o posto da GNR, onde contou o que tinha feito e se entregou.
'PENSAVAM QUE NÃO PASSAVAM DE BABOSEIRAS'
‘Temba’, nome como António Santos é conhecido em Casais de Baixo, é considerada uma pessoa de feitio “difícil. É um gajo popular, mas tem uns ‘repentes’ e quando fica assim não se pode dizer nada porque só ele é sabe, não aceita opiniões”, contou ontem um vizinho do alegado homicida.
As ameaças de morte não seriam apenas para a mulher, pois alguns amigos e vizinhos também as ouviram, em momentos de acesa discussão. “Era tão normal ouvir ameaças que as pessoas não levavam a sério e pensavam que eram baboseiras”, contou Avelino Correia, sobrinho e primo das vítimas.
O facto de se encontrar de baixa médica não terá perturbado António Santos, que parecia “contente” com a possibilidade de se reformar. “Até já tinha apalavrado uns serviços de motorista com uma empresa daqui”, contou outro familiar.
Na sexta-feira, António Santos passou o dia “bem disposto”, disse Joaquim Correia Pinto, filho e irmão das vítimas, adiantando ter visto ‘Temba’ de caçadeira na mão, mas não desconfiou de nada.
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