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Correio da Manhã

Portugal
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Associação da GNR diz que militares "não podem ser bode expiatório" no caso do incêndio que atingiu canis em Santo Tirso

APG exige "medidas drásticas" por parte do Ministério da Administração Interna e pelo Comando-Geral da Guarda Nacional Republicana.
Lusa 23 de Julho de 2020 às 18:01
Abrigo ilegal de animais em Santo Tirso desde 2002 alvo de várias queixas
Abrigo ilegal de animais em Santo Tirso desde 2002 alvo de várias queixas
A Associação dos Profissionais da Guarda considerou hoje que os militares da GNR "não podem ser o bode expiatório" no caso do incêndio que atingiu dois canis ilegais no concelho de Santo Tirso e exigiu "medidas drásticas".

"Quem esteve, desde o primeiro momento a garantir a contenção do incêndio e a preservação da vida dos animais foram os profissionais da GNR e os bombeiros, motivo pelo qual é injusto e inadmissível que o prestígio da instituição e a honra e consideração dos que a servem fique refém de expedientes políticos, sem consequências", refere a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), em comunicado.

A APG exige "medidas drásticas" por parte do Ministério da Administração Interna e pelo Comando-Geral da Guarda Nacional Republicana que "não sejam letra morta" e "sejam de facto dissuasoras deste tipo de crime".

O comunicado do APG surge após 74 animais terem morrido durante um incêndio florestal que atingiu no sábado dois canis ilegais no concelho de Santa Tirso.

O ministro da Administração Interna determinou na segunda-feira a abertura de um inquérito à atuação da GNR e da Proteção Civil no incêndio.

A Procuradoria-Geral da República anunciou a abertura de um inquérito do Ministério Público ao caso.

Segundo a GNR, a morte dos animais no incêndio não se deveu ao facto de ter impedido o acesso de populares ao local, mas à dimensão do fogo e à quantidade de animais.

A morte de cães e dois gatos carbonizados motivou reações dos partidos políticos, com PAN, BE e PCP a exigirem explicações do Governo.

 "Este caso tornou-se de tal forma mediático que se ultrapassou a si próprio. A desinformação e aproveitamento político de certos setores, que fazem opinião com base no número de 'likes' de publicações e comentários nas redes sociais é deplorável, sendo que nada justificará os insultos, ameaças e afirmações difamatórias da honra e profissionalismo dos profissionais da GNR que intervieram no local e que circulam amplamente na internet", sublinha a APG no comunicado.

A associação mais representativa da GNR avança que esta situação "faz lembrar" o incêndio de 2027 em Pedrógão Grande e, "mais uma vez, encontra-se nos profissionais da Guarda o bode expiatório quando algo corre mal".

Para a APG, os "defensores dos animais têm boa parte da responsabilidade objetiva de situações deste tipo, ao forçarem a aprovação de uma lei que proíbe a eutanásia dos animais, ao mesmo tempo que não garante respostas de acolhimento em número suficiente e condignas ao nível dos municípios, proliferando um sistema de criação de canis geridos por particulares e de difícil fiscalização".

Esta associação refere também que os militares da GNR que se deslocaram ao local "cumpriram ordens".

"As forças de segurança são o rosto do Estado junto do cidadão e se estas não são respeitadas e não existe qualquer agilidade no cumprimento da lei que reconhece a gravidade da ofensa a funcionário público por via de uma maior moldura penal, então algo de errado se passa, pois neste caso até fica a caricata ideia de que os  animais em causa terão maior salvaguarda da sua dignidade do que os agentes que cumpriram o seu dever no lugar e que têm o direito a ver preservadas a sua dignidade e honra", sublinha ainda.

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