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Correio da Manhã

Portugal
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Ataque com gás pimenta fere bebé em esplanada

Um bebé de mês e meio e quatro adultos tiveram de receber ontem assistência hospitalar depois de terem sido atacados na esplanada de um café, em Viana do Castelo, com gás pimenta. O ataque foi perpetrado por dois jovens, alegadamente toxicodependentes, que não terão gostado da recusa dos clientes em lhes dar dinheiro para a compra de tabaco.
27 de Julho de 2006 às 00:00
O empresário João Cunha diz que os jovens 'deviam estar desesperados e perderam a cabeça'
O empresário João Cunha diz que os jovens 'deviam estar desesperados e perderam a cabeça' FOTO: Rui Filipe Moreira
O gás pimenta acabou por afectar as cerca de duas dezenas de pessoas que se encontravam no espaço do Café-Pastelaria da Ajuda, em Meadela, incluindo o proprietário do estabelecimento, João Filipe Cunha, e funcionários, que se sentiram indispostos e foram obrigados a “abandonar até a zona envolvente, porque não se podia respirar”.
No entanto, apenas o bebé e dois casais receberam tratamento no Centro Hospitalar do Alto Minho, de onde tiveram alta poucas horas depois. “Foram ao hospital por precaução e tudo ficou bem, após tratamento”, adiantou João Cunha.
O ataque com gás pimenta ocorreu por volta da 01h00, pouco depois de uma jovem – alegadamente toxicodependente e com cadastro criminal – ter visto todos os clientes recusar-lhe qualquer esmola.
Conseguiu apenas obter um cigarro, o que não terá sido suficiente para satisfazer o namorado, que entrou de rompante pela esplanada com o ‘spray’ e um punhal.
“Atirou-se às mesas projectando o gás para a cara das pessoas. Quando vi aquilo, ainda saltei logo para ele, mas atacou-me com o gás e não consegui fazer nada, a não ser refugiar-me, manter a calma e, com a ajuda de outras pessoas, liguei à GNR”, descreveu João Cunha.
O telefonema afugentou de imediato os jovens, que evitaram a detenção em flagrante por parte da patrulha da GNR, que já identificou os suspeitos e vai encaminhar o processo para o Ministério Público.
Apesar do pânico geral, os suspeitos acabaram por não levar nada dos clientes.
COM ANTECEDENTES
PERPLEXO
O proprietário do Café-Pastelaria da Ajuda diz que o ataque dos jovens toxicodependentes “deixou toda a gente perplexa e sem perceber como é possível uma atitude daquelas. Deviam estar desesperados e perderam a cabeça”.
PESSIMISTA
Embora tenha apresentado queixa, João Cunha mostra-se pouco optimista quanto à penalização dos suspeitos pela autoria do ataque ao seu café. “Vamos lá ver se não vou sair ainda mais prejudicado com novas despesas”, comentou.
MORDIDO
João Cunha já experimentara a ‘fúria’ de jovem toxicodependente. Há um ano, foi mordido no braço. “Andei a tomar comprimidos e fiquei com tudo estragado; o processo em Tribunal vai dar em nada e ainda vou pagar custas”, lamentou.
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