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Correio da Manhã

Portugal
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Ataque de tigre acaba em Tribunal

Mónica Tecar Lupatiu, a jovem que em Novembro do ano passado perdeu um braço em consequência de um ataque de um tigre do Circo Atlas, apresentou queixa junto do Tribunal do Trabalho. A vítima acusa Walter Dias, proprietário do circo, de nunca ter descontado para a Segurança Social e não ter legalizado o contrato de trabalho.
15 de Abril de 2006 às 00:00
Mónica reclama uma indemnização do Circo Atlas
Mónica reclama uma indemnização do Circo Atlas FOTO: Jorge Godinho
Mónica, que garante nunca ter feito festas ao tigre – como alega Walter Dias –, vai ainda reclamar junto da Justiça uma indemnização, já que entende ter “sofrido um acidente de trabalho”.
Walter Dias nega as acusações da jovem: “Se os descontos para a Segurança Social não foram feitos é porque a Mónica nunca se legalizou.” Actualmente, o empresário já reconhece que a jovem “ajudava no trabalho”, no entanto, na altura do acidente limitava-se a dizer que a vítima “era namorada de um funcionário”.
Ao CM, Mónica apresentou provas fotográficas de quando trabalhava no circo e cópias do contrato.
Quanto ao facto de nunca ter sido activado o seguro que cobre o circo, o proprietário mantém a mesma versão desde o início: “Não foi possível porque a Mónica, tal como reconheceu numa declaração por si assinada, enfiou o braço na jaula para fazer festas ao tigre.”
Ao CM, a jovem e o marido, Gheorghe, aceitaram contar pela primeira vez a sua versão dos factos ocorridos na Cruz de Pau (Seixal), a de 10 de Novembro de 2005. Uma história que está longe de encaixar com a versão de Walter.
“Foi tudo numa fracção de minutos. Trabalhava como cozinheira no circo e fui ver se o meu marido [então namorado] já tinha terminado o serviço [era tratador dos leões]”, lembra. “O circo tinha recebido um tigre do circo Roberto Cardinali. A rulote estava junto da dos leões e entre elas existia um corredor”, explicou Gheorghe. “Quando me aproximei a ver se via o Gheorghe, o tigre lançou a pata e apanhou-me o braço e arrastou-me para junto da grade”, recordou a jovem.
BEBÉ RESISTIU AOS FERIMENTOS DA MÃE
Mónica Tecar Lupatiu (26 anos) espera ser mãe de um rapaz dentro de dez dias. “Dou graças a Deus por não ter acontecido nada ao meu filho”, disse. “Quando foi do acidente pensei que tinha perdido o bebé. Estava grávida de quatro meses e enquanto me debatia com o tigre para me tentar salvar fiquei toda negra de bater com a barriga nas grades”, acrescentou. O parto, explicou, vai ser realizado no Hospital Garcia de Orta, em Almada, onde é acompanhada desde a intervenção cirúrgica.
A jovem amputada não conta com qualquer subsídio da Segurança Social. O casal vive do ordenado de Gheorghe Lupatiu, que depois de se despedir do circo trabalha numa fundição.
DRAMA E PROMESSAS
ACIDENTE
A 10 de Novembro de 2005, Mónica Tecar foi vítima de amputação traumática do membro superior direito por mordedura de tigre. No Hospital de S. José foi feito o encerramento do coto de amputação. Apesar do braço ter sido conservado em gelo não foi possível o reimplante.
SAÍDA DO ATLAS
Em Janeiro o casal optou por deixar o circo. “Estávamos cansados das promessas de que pagavam a prótese”, disse Gheorghe, marido de Mónica. Foi a comunidade romena que reuniu os dois mil euros para comprar a prótese. Será aplicada após o parto.
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