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Correio da Manhã

Portugal
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ATAQUE NO ALENTEJO

Três novos casos de meningite deram entrada entre sábado e a madrugada de ontem no Hospital Distrital de Évora. Um bebé de quatro meses, de Évora, e uma menina de sete anos, de Cortiçadas de Lavre, Montemor-o-Novo, estão, segundo adiantou ao CM António Sousa, director clínico do hospital, “a evoluir favoravelmente”. Em relação à senhora de 29 anos, proveniente de Estremoz, que na madrugada de ontem entrou naquela unidade de saúde, “o seu estado clínico é preocupante”.
13 de Fevereiro de 2003 às 00:00
A inexistência de qualquer conexão entre estes três casos, ainda que todos eles tenham como causa a bactéria meningococo, é a mensagem que os vários delegados de saúde e director clínico do hospital tentam passar. Mesmo assim, alguns pais estão preocupados e adiantaram ao nosso jornal “estar mais descansados” por o jardim-de-infância de Évora, que o bebé de quatro meses frequenta, estar encerrado até ao final da semana para desinfecção. Na terça-feira, o delegado de Saúde de Évora esteve no estabelecimento em causa e explicou aos pais dos bebés que estão na mesma sala, a necessidade de tomarem um antibiótico por precaução. Ontem, alguns pais, que na altura não estiveram presentes, deslocaram-se ao centro de saúde para se inteirarem dos passos a tomar.

Em relação à escola de Cortiçadas de Lavre, “as aulas decorrem dentro da normalidade”, como nos confirmou Florbela Lóios, directora do Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Novo. “O delegado de Saúde disse que não era oportuno encerrar a escola e eu confio plenamente nele”. Esta responsável adiantou, ainda, que os pais dos colegas da menina internada “acataram bem as explicações do delegado e não manifestaram interesse em que os filhos fossem medicados”.

A falta de bases “científicas e técnicas” que levassem ao encerramento da Escola Básica de Cortiçadas foi o motivo que – como explicou ao nosso jornal o delegado de Saúde Agostinho Simão –, fez com que tivesse indicado para que tudo decorra naquele estabelecimento dentro da normalidade. Este clínico, acrescentou ainda que não receitou antibióticos aos nove meninos que estudam na sala da referida aluna pela simples razão de que o antibiótico que se ministra profilaticamente não faz efeito em todos os tipos de agentes e, acrescentou, “no caso do agente em questão é isso mesmo que se passa”.

O café em que trabalha a senhora de 29 anos, que, segundo António Sousa, “chegou ao banco de urgência prostrada, de certa maneira em coma”, esteve ontem aberto durante todo o dia. O CM tentou por várias vezes falar com o proprietário do mesmo, mas disseram-nos sempre que estava ausente.

Durante o dia de ontem, altura em que os três casos foram divulgados, grande parte das farmácias de Évora registaram rupturas no stock do fármaco ministrado nestes casos. A situação rapidamente ficou resolvida com um reforço das encomendas.

APELO À TRANQUILIDADE

“O facto de já este ano terem dado entrada no Hospital Distrital de Évora vários doentes com meningite não é razão para alarme, e muito menos se pode falar em surto”, explicou ao CM António Sousa, director clínico do referido hospital.

Este responsável acredita que pela distância que separa os pacientes que nestes últimos dias entraram no hospital – um residente no concelho de Montemor, outro no concelho de Évora e o último em Estremoz –, e também pela diferença de idades entre todos (quatro meses, sete anos e 29 anos), é “muito pouco provável” que estas pessoas tenham qualquer tipo de contacto entre elas.

Menos prováveis podem ser, disse ainda, os vários casos ocorridos desde o final do mês de Janeiro no concelho de Estremoz.

Este clínico lembra que ainda há poucos dias teve alta do hospital uma criança de Estremoz, também ela vítima da mesma doença. “Penso que nos dois casos de Estremoz, e falo de dois porque a bebé que faleceu, também de Estremoz, sofria de uma septicemia, poderá haver alguma relação entre ambos”, avançou a mesma fonte.

O director clínico do Hospital Distrital de Évora adianta no entanto que as autoridades sanitárias estão a trabalhar no sentido de detectarem se, de facto, esta relação existe, pelo que não há razão para alarme.
Questionado pelo CM, Gonçalo e Melo, delegado de Saúde de Estremoz, afirmou que o caso da senhora actualmente internada “não tem nada a ver com os anteriores”. E acrescentou: “Este é um assunto que preocupa as pessoas em geral sobremaneira, mas alerto para que não se gere pânico”.
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