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Correio da Manhã

Portugal
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ATÉ VINHA A NADO

Venceu os medos. Por amor, Júlia Santos venceu o medo de voar, para levar para Caracas os documentos com que espera livrar o marido, Luís Santos, o co-piloto do ‘Citation X’ da Air Luxor, da situação de prisão preventiva em que se encontra, na sequência de uma investigação de tráfico de droga.
9 de Novembro de 2004 às 00:02
“Trouxe os documentos comigo. Teria vindo a nado se fosse preciso. Numa situação destas não temos medo de nada. Nem sequer de andar de avião. Eu que tanto medo tinha. Mas os fins justificam os meios”, disse Júlia Santos, à saída do Internato Judicial de Los Teques, a cerca de 45 quilómetros de Caracas, onde, no domingo visitou o marido.
Uma visita muito emotiva, em que a portuguesa foi confrontada com o que nunca pensou ver: a precariedade das condições da cadeia onde o marido está internado.
“Sabia que as coisas eram más e que era muito difícil, só que ainda não tinha visto com os meus olhos aquilo que realmente era. Nunca tinha visto uma prisão e depois de ver uma, num país destes, sofri um choque muito grande”, contou Júlia Santos.
Se o ambiente era duro, o encontro com o marido também foi um dique de emoções que se abriu de par em par: “Durante este tempo (em que o marido esteve detido) havia uma parte do meu cérebro que não queria mesmo ver. Sentia uma revolta interior que ainda hoje sinto”, continuou. “Quando o vi foi o desabar de todas as emoções”, frisou a mulher de Luís Santos, acrescentando: “Fez-me muito bem vê-lo. Ele deu-me muito ânimo e conseguiu acalmar-me durante o tempo que estive lá dentro.
Depois da longa viagem e de vencer o medo de andar de avião, Júlia Santos ainda teve que ultrapassar as dificuldades postas à porta da cadeia. Para poder ver o marido, a portuguesa teve de trocar de roupa, acabando por entrar com uma ‘t-shirt’ emprestada, de cor clara, já que não são permitidas visitas com roupas escuras ou que “realcem alguns atributos femininos”, num mundo tenso de homens em privação.
Os documentos com que Júlia Santos, no domingo, chegou à Venezuela e certificados pela embaixada daquele país em Lisboa, são instrumentos com que a defesa estava convicta de conseguir ilibar ontem no tribunal de Vargas, toda a tripulação do avião da Air Luxor apreendido no Aeroporto Internacional de Maiquetia. O comandante da aeronave, António Smith e a hospedeira de bordo, Cláudia Neves, já libertados, aguardam o regresso para Lisboa.
PORMENORES
REGRESSO RÁPIDO
Os elementos libertos devem regressar a Portugal o mais rápido possível. Fica-lhes bem a solidariedade com o co-piloto, mas ficar não faz qualquer sentido, pois a sua presença em nada ajuda a libertação de Luís Santos, que é um trabalho da defesa, afirmou o embaixador de Portugal em Caracas, Vasco Bramão Ramos.
387 QUILOS DE COCAÍNA
A detenção dos três tripulantes da Air Luxor ocorreu a 24 de Outubro, quando as autoridades venezuelanas apreenderam 387 quilos de cocaína, distribuídos por várias malas, que deveriam seguir para a Europa a bordo do avião fretado à companhia.
DIÁLOGO ESCUTADO
Segundo a Defesa dos tripulantes, determinante para a libertação do comandante e da assistente de bordo terá sido uma escuta efectuada em Portugal, na qual uma das alegadas traficantes dizia a um homem que o piloto mandara retirar as malas onde estava a droga.
DETIDOS NO ALENTEJO
Numa investigação que estava a efectuar à rede de tráfico de droga do Alentejo, a PJ deteve, pouco tempo depois das prisões em Caracas, Venezuela, dois homens suspeitos de integrarem o mesmo grupo. Um deles, de 67 anos, é um ex-piloto de aviação civil. O outro, de 26 anos, trabalhava como motorista para uma das mulheres de Arraiolos detidas na Venezuela.
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