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Correio da Manhã

Portugal
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Atingido à queima-roupa

Os quatro homens chegaram, de cara e mãos tapadas, logo pela manhã, à porta da ourivesaria. Motor a trabalhar, o condutor esperou e os outros lá foram, caçadeiras em punho, direitos ao balcão.
31 de Dezembro de 2005 às 00:00
Clientes fugiram; a mulher e filha do dono também. Até que ele surgiu, atrás do balcão, e perguntou: “O que querem daqui?”. Responderam a tiro, agarraram no ouro e puseram-se em fuga. Ontem, na Póvoa de Santo Adrião, em Odivelas, arredores de Lisboa.
Horas depois, quando o Correio da Manhã chegou ao número 12 da Rua Barbosa du Bocage, já só encontrou a mulher e a filha de Horácio M., de 66 anos. Foi atingido às 11h00, dentro da sua própria loja.
Os vários chumbos que tem cravados no abdómen saíram de um só cartucho, disparado à queima-roupa por um dos encapuzados, que lhe encostou a caçadeira ao corpo. Perdeu muito sangue, mas foi prontamente assistido pelo INEM, que em pouco minutos chegou ao local.
Foi transportado para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde ao final do dia se encontrava em “situação estável”, na Unidade de Cuidados Intensivos, “à espera de ser operado”, conforme apurámos.
Quem estava na ourivesaria Rêve D’Or, enquanto os peritos do Laboratório de Polícia Científica trabalhavam, às 14h00, eram a mulher e a filha da vítima que, por medo de represálias, não se identificam. “Entrámos em pânico, quando os vimos entrar pela porta adentro, de caras tapadas e armas nas mãos”, disse ‘Ana’, a filha de 20 anos.
A mulher, 60 anos, contou que “ele estava lá para dentro, na oficina da ourivesaria”, quando os ladrões chegaram. “Ouviu barulho, chegou ao balcão e só perguntou: ‘Quem são vocês, o que querem daqui?’ Um deles encostou-lhe o cano da arma ao corpo e disparou logo”.
E enquanto Horácio M. se contorcia no chão com dores, os três homens, “cabo-verdianos, pelo sotaque”, foram pilhando o que encontraram: “fios, medalhões e anéis em ouro, essencialmente”, num valor ainda por contabilizar.Mas nessa altura já mãe e filha tinham fugido, com duas clientes e uma criança.
"ENFIARAM-SE NO CARRO E ARRACARAM
A mulher e filha de Horácio M. nunca se tinham visto envolvidas numa situação destas, mas sangue-frio não lhes faltou. Quando o último dos três encapuzados entrou na ourivesaria, cerca das 11h00, foi direito ao balcão, mas esqueceu-se da porta aberta atrás de si.
As duas mulheres aproveitaram logo para fugir, com outras duas clientes – uma delas com uma criança ao colo. Fecharam a porta, cada uma gritou por socorro, e viram o quarto elemento do gang, também encapuzado, à espera no carro. “Via-se que estava impaciente, parado à porta, com o motor a trabalhar. Depois, os outros saíram, enfiaram-se lá dentro e arrancaram em grande velocidade”, recordou ao CM a filha de Horácio M.
PORMENORES
A MONTE
O automóvel usado no assalto era um Rover prateado, roubado, e foi encontrado pela polícia pouco depois em Olival Basto. Os quatro assaltantes continuam a monte.
REFÚGIO
Quando fugiram da ourivesaria, a mulher e filha do homem atingido refugiaram-se numa loja, de onde ligaram para a PSP. “Demoraram 40 minutos”, dizem.
INVESTIGAÇÃO
O caso está entregue à Polícia Judiciária, que recolheu informações e já deu caça aos quatro homens. Peritos da Polícia Científica passaram o local a pente fino.
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