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Correio da Manhã

Portugal
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Atirou saco com a filha para o lixo

Um recém-nascido do sexo feminino foi encontrado morto, no domingo, num contentor do lixo em Cabaços, Moimenta da Beira. A mãe, solteira, de 19 anos, é a principal suspeita da ocultação do corpo.
27 de Setembro de 2005 às 00:00
Duas moradoras de Cabaços junto ao contentor onde estava o bebé
Duas moradoras de Cabaços junto ao contentor onde estava o bebé FOTO: Iolanda Vilar
O cadáver foi encontrado por uma moradora que, ao despejar o lixo, se apercebeu de uma pequena mão a sair de um saco de plástico. Na manhã de domingo, a mãe do recém-nascido terá sido vista a despejar um saco daqueles no contentor, onde estaria a filha. As autoridades ainda desconhecem se nasceu ou não com vida.
“Pelas 10h00, a minha vizinha, cuja casa tem vista para o caixote do lixo, viu-a muito curvada a deitar um saco para o lixo”, disse Donzília Conceição, uma das primeiras pessoas a ver o recém-nascido.
Pelas 18h00, a moradora que vira a suspeita pela manhã, procurou enxotar um gato que estava dentro do contentor e deu com o “saco com uma mão humana de fora”. O corpo estava fechado num saco de plástico de uma superfície comercial e envolto noutro preto.
O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária do Porto, que já recolheu indícios no local e em casa da parturiente, que recebeu tratamento hospitalar no S. Teotónio de Viseu. O Instituto de Medicina Legal de Viseu está encarregue da autópsia que irá determinar as causas da morte do recém-nascido.
"MUITO LINDA, GORDINHA E PERFEITINHA"
“A menina era linda, muito gordinha, perfeitinha e com a gestação completa”, afirma Donzília Conceição, de 71 anos, que caracteriza o recém-nascido com “um verdadeiro anjo a dormir”. “O corpo ainda estava mole, pois quando pegámos num pau para mexer na perninha e ver o sexo, ele cedeu com facilidade”, acrescentou a idosa, frisando: “Foi um crime horrendo.”
“Mesmo que a menina tivesse nascido morta, a solução era chamar os bombeiros e não deitá-la para o lixo. Se a bebé visse a luz do dia e ela não tivesse condições para a criar, se a colocasse à porta de um vizinho qualquer pessoa daria assistência à menina”, diz Donzília Conceição, salientando: “Criei 10 filhos com dificuldades e nunca tive ideias de abandonar os meus meninos.”
O caso da jovem deixou estupefacta a população da aldeia. Oridice Gomes Carriço considera que “a culpa nem é da rapariga”, mas “da falta de atenção da mãe que, mesmo no dia em que encontraram o bebé, ainda negou a gravidez da filha”.
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