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Correio da Manhã

Portugal

Atlântico chora Beto

A segunda noite de exibições das Marchas Populares de Lisboa no Pavilhão Atlântico ficou marcada por uma sentida homenagem ao padrinho da Marcha do Alto do PIna, o cantor Beto, que faleceu recentemente.
6 de Junho de 2010 às 01:57
Beto foi recordado e homenageado pela Marcha do Alto do Pina
Beto foi recordado e homenageado pela Marcha do Alto do Pina FOTO: Mariline Alves

Os marchantes entraram assinalando o luto e entregaram às irmãs de Beto o fato de padrinho, um ramo de flores e um enorme cartaz com a fotografia do cantor e o nome de todos os elementos da Marcha. Nas bancadas, a uma só voz, todas as claques gritaram bem alto, durante minutos, o nome de Beto. Uma enorme salva de palmas em memória do artista ecoou pelo recinto. Naquele momento, esqueceu-se o bairrismo e as rivalidades. "Foi uma homenagem muito bonita, até chorei", disse ao CM Cristina Saraiva, da claque da Mouraria. Na bancada de Alcântara, gritou-se bem alto o nome de Beto. "Era um grande artista e um grande padrinho", dizem, em uníssono, Ana Paula e Ana Lucas.


A segunda noite de exibições começou com os comerciantes dos Mercados de Lisboa, que recordaram o seu património. A madrinha Anita Guerreiro e o padrinho João Carvalho espalharam simpatia. E como é já sua tradição, a Marcha brindou o público com presentes. Este ano, foram chupa-chupas em forma de coração e pequenas sombrinhas de chocolate.

Seguiu-se a Marcha da Graça (Carla Andrino e João Manzarra foram os padrinhos), que evocou a implantação da República. "Foi das colinas da Graça que o povo se agitou, deu vivas e sua raça, veio para a rua e gritou, Viva a República, Viva Portugal", cantaram os marchantes (eles vestidos de azul e branco e elas de verde e vermelho).

Feitas as despedidas, foi a vez de Carnide, com aguadeiros, amoladores e vendedores a entoarem pregões. Dentro os barris, levavam manjericos, mais tarde colocados no trono de Santo António. Uma claque bem composta incentivava os marchantes. Nos bastidores, a Marcha do Alto do Pina aguardava a sua entrada. Entraram em silêncio, com a sua madrinha Vanda Suart, e homenagearam o padrinho, o cantor Beto, que faleceu recentemente.

"Filigrana arte fina, no coração de uma varina" foi o tema de Alcântara, a Marcha que se seguiu. Com arcos finos e estilizados, os marchantes cantaram bem alto: "Cá está ela, cá está ela, a filigrana mostrar, todos olham para ela com ternura no marchar". À filigrana e varinas, juntou-se a evocação dos cem anos de implantação da República, com a Marcha (Linda Rodrigues foi a madrinha) a mostrar uma bandeira gigante e o Pavilhão Atlântico a cantar a plenos pulmões "A Portuguesa". Foi um dos momentos altos da noite.

De preto e dourado vestida a Marcha da Mouraria (Filipa de Castro e Duarte Siopa foram os padrinhos) lembrou que era o berço do fado: "Temos alma de fadistas, é a rainha do fado, faz de nós os mais bairristas, aqui ou em qualquer lado", cantaram os marchantes, com elas lembrando a Severa.

A Madragoa foi a penúltima Marcha a entrar. Como manda a tradição do bairro, marcham descalços. Nos arcos, peixes e relógios (numa alusão ao tema "O tempo, a esperança e a mudança"). Eles entraram com cavalos marinhos. E como também manda a tradição do bairro, dançou-se o Vira. Pedro Teixeira e Marta Melro foram os padrinhos.

Coube ao Castelo (que defende o título, conquistado o ano passado ex-aequo com Alfama) encerrar a segunda noite de exibições no Pavilhão Atlântico. Eles iam vestidos de azul e branco e elas levavam saias evocando os tradicionais lenços de namorados. Mostraram um lenço gigante e despediram-se com corações dourados emoldurando a face das marchantes.

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