Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
3

Auditoria arrasa Urgência do Amadora-Sintra

Férias dos médicos aumentam tempos de espera.
Cristina Serra 4 de Agosto de 2015 às 11:00
Utentes a queixam-se de muitas horas de espera pelo atendimento no Hospital Amadora-Sintra
Utentes a queixam-se de muitas horas de espera pelo atendimento no Hospital Amadora-Sintra FOTO: Pedro Catarino

O Tribunal de Contas (TC) arrasa o Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) numa auditoria que fez ao acesso ao Serviço de Urgência, depois da polémica em dezembro de 2014, com os utentes a queixarem-se de muitas horas de espera pelo atendimento.

Segundo o documento do TC que o CM teve acesso, os tempos de espera naquela Urgência têm vindo a agravar-se entre 2012 e 2014, mas foi em dezembro do ano passado que registaram-se os maiores tempos médios diários de espera, em que ultrapassaram-se as sete horas e, no dia 24, "atingiram um máximo de 28 horas".

O tribunal constata que os tempos de espera verificados de 22 a 28 de dezembro de 2014 "não resultaram da afluência dos utentes, tendo em conta que foi inferior a períodos homólogos".

Segundo o TC, as dificuldades de acesso dos utentes à Urgência do Amadora-Sintra são verificadas ao longo de todo o ano e especialmente nos dias 22 e 23 de dezembro de 2014 que ficaram a dever-se à "incapacidade dos órgãos de gestão em planear as escalas dos médicos com um número adequado de elementos".

Segundo a auditoria, para a insuficiência do número de médicos na Urgência contribuiu a autorização de férias e tolerâncias de ponto pela direção do Serviço de Urgência, sem que ficassem asseguradas as escalas, uma situação que "infringe as normas de funcionamento do hospital e do serviço, além de descurar de modo irresponsável, o interesse dos utentes".

Em dezembro de 2014 registou-se um total de 184 dias de ausência médica, na Urgência no período em análise, um valor superior ao dos anos anteriores.

Entre os dias 22 e 23 de dezembro de 2014 existiram períodos de ausência de 14 médicos afetos ao Serviço de Urgência, na maioria por tolerância de ponto, o que não é compreensível, sublinha o Tribunal de Contas, sublinhando o défice de médicos existente e as previsíveis maiores dificuldades em assegurar a disponibilidade naquele período.

A auditoria critica a atuação do conselho de administração hospitalar, por não instaurar processos de inquérito e processos disciplinares, apesar do desrespeito pelo cumprimento das normas.

Por sua vez, o Ministério da Saúde também é criticado por "não apurar responsabilidades", por exemplo ao nível do conselho de administração.

A rutura nos recursos humanos médicos na Urgência agravou-se com a saída, não totalmente compensada, de profissionais, e pela dispensa do trabalho na Urgência de médicos com mais de 50 ou 55 anos.

Para resolver o problema, o Tribunal de Contas recomenda que os utentes sejam atendidos em qualquer serviço de urgência dos hospitais do SNS, independentemente da sua área de residência.

É ainda recomendada a disponibilização de informação em tempo real sobre os indicadores de tempos de espera nas várias Urgências hospitalares. É recomendado ainda um modelo assente em equipas fixas e dedicadas, com formação especializada.

O TC propõe ainda que seja revisto o regime legal das carreiras médicas quanto ao limite de idade dos médicos para a realização de atividade no Serviço de Urgência, garantindo que a dispensa da prestação do serviço tenha como condição a inexistência de graves prejuízos para o serviço, o que aliás já sucede com os profissionais da carreira de enfermagem.

auditoria hospital amadora-sintra férias médicos espera tempo urgências
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)