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Correio da Manhã

Portugal
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AULAS COMEÇAM HOJE COM PROFESSORES NA RUA

As escolas vão abrir hoje as portas para mais de milhão e meio de estudantes, mas na maior parte dos estabelecimentos os mais novos, muitos acompanhados pelos pais, vão bater com o nariz na porta.
16 de Setembro de 2004 às 00:00
Os cerca de 40 mil professores ainda sem colocação só vão saber onde é que vão trabalhar na segunda-feira, quando forem divulgadas as listas pelo Ministério da Educação (ME). Algumas centenas de docentes são esperados hoje numa concentração em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa, a partir das 17h. O encontro organizado pela Federação Nacional de Professores (Fenprof) pretende reunir cerca de 500 docentes de todo o País.
Antes, pelas 14h, o ‘Grupo de Sindicalistas Libertários’ inicia vários Cordões Humanos em frente às Direcções-Regionais de Educação de Lisboa, Norte (Porto), Centro (Coimbra), Alentejo (Évora) e Algarve (Faro).
“É a abertura mais caótica de que há memória”, resumiu ontem o secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), João Dias da Silva, que acusou o ME de criar uma situação de “desrespeito pelos docentes, alunos e famílias”. Por isso, salientou, “ninguém estranhará que milhares de professores comecem este ano lectivo com uma raiva enorme por causa das dificuldades que viveram”.
Quem defende a abertura efectiva do ano escolar só em Outubro (apesar de o ME insistir que as aulas devem começar até dia 23) é Carlos Chagas, da Federação Nacional do Ensino e Investigação, pois “existem milhares de professores por colocar e milhares de escolas com um número insuficiente de professores colocados”. A Fenei considera “surrealista” a abertura das escolas hoje.
Albino Almeida, da Confederação Nacional das Associações de Pais, questiona “quem terá tramado os ministros da Educação, deixando a situação chegar a este extremo”. A abertura “simbólica” das aulas é acompanhada de mais uma dúvida: “como poderão os pais produzir mais, tal como pede o Ministro das Finanças, se desconhecem o futuro dos seus filhos?”.
ESCOLAS VÃO ESTAR VAZIAS
As regiões do Interior e do Sul do País são aquelas onde faltam colocar mais docentes. Segundo o Sindicato dos Professores da Região Centro, as aulas não começam hoje nos agrupamentos de Condeixa, Góis, Arganil, Canas de Senhorim, Cinfães, Aguiar da Beira, Tabuaço, Penedono, São Martinho do Porto, Pedrógão Grande, Figueira de Castelo Rodrigo e Sabugal, entre outros. E, com a divulgação da lista de colocações apenas na segunda-feira, o início efectivo das aulas deverá acontecer apenas no início de Outubro.
Também a Federação Nacional do Ensino e Investigação divulgou alguns números que demonstram a impossibilidade do começo das aulas antes do dia 26: nas escolas básicas 2/3 dos agrupamentos da zona da Grande Lisboa e Vale do Tejo há entre 50 e 90 por cento de professores por colocar; na EB2,3 de Arcos de Távora (Arcos de Valdevez) não há professores para dar início às actividades lectivas; as EB2,3 da Correlhã (Ponte de Lima) e de Valongo dependem totalmente da colocação de docentes; a EB2,3 de Pereira (Coimbra) não tem nenhum professor. No interior do distrito de Bragança a dependência da colocação de docentes é total.
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