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Correio da Manhã

Portugal
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AUMENTA TROCA DE CASAIS

A troca de casais, uma das formas de relacionamento sexual alternativo ("swinging"), está a aumentar em Portugal, revela um estudo que identifica os "swingers" como os casais que mais satisfação conseguem e menos ciúmes sentem.
21 de Julho de 2003 às 00:00
O estudo pioneiro do médico especialista em sexologia José Murta Cadima, traz à luz do dia um comportamento que, apesar de estar em franco crescimento, é ainda considerado clandestino: o adultério consentido.
Em Portugal, como na maioria dos outros países, a troca de casais – uma forma de "swinging", tal como o "menage à trois", as orgias ou o "flirt" – sofreu um grande aumento graças à Internet, que permite a troca de experiências, contactos e informações, a coberto de anonimato.
O estudo caracterizou o universo dos "swingers": "São mais velhos que os indivíduos sexualmente fiéis, usam mais eficazmente fantasias sexuais, referem menos sentimentos de ciúme e têm durações maiores dos seus casamentos actuais".
PRIMEIRO PASSO É DOS HOMENS
O primeiro passo para a troca de casais é essencialmente masculino. Os resultados do inquérito permitiram concluir que, entre os adeptos da troca de casais, cerca de metade das mulheres (53,3 por cento) respondeu que foram os maridos e a outra metade (46,7 por cento) respondeu que foram ambos a sugerir um casamento aberto. Nenhuma mulher, por si, o propôs.
Sobre quem sugeriu um casamento aberto, 66,7 por cento dos homens assumiu a sugestão e 33,3 por cento atribuiu-a a ambos. Nenhum respondeu ter sido da esposa.
No que respeita à frequência de relações com outros parceiros, dos "swingers" que responderam a esta questão 35,3 por cento referiu uma frequência diária, 29,4 por cento semanal, 23,5 por cento mensal e 11,8 por cento uma frequência anual.
Quanto à avaliação da qualidade do casamento antes de terem iniciado relacionamentos extraconjugais, a maioria (44,2 por cento) dos "swingers" avaliaram-no como de qualidade média, 28,8 por cento como excelente, 25 acima da média e 1,9 abaixo da média. Os "swingers" referiram como razões predominantes para manterem um casamento aberto tornar mais tolerável um casamento insatisfatório, aumentar a satisfação de um já de si satisfatório e seguir uma opção filosófica.
IMPORTANTE ESTAREM TODOS BEM
“Se alguém não estiver a gostar, paramos. Não estamos ali por obrigação, mas por prazer”, contou uma “swinger” experimentada à revista do Correio da Manhã “Domingo Magazine”, que, a 17 de Janeiro, publicou uma reportagem sobre o fenómeno da troca de casais em Portugal. O marido logo reforçou a ideia de à-vontade: “Eu gosto muito da minha mulher. Amo-a! Se ela não está bem, acabou!” Importante é que o amor fique à porta do quarto e o ciúme debaixo da cama. De outra maneira, será difícil “gostar”. Aos que pensam no “swinging” com nojo, um praticante com larga experiência no campo, contrapunha: “Quem não pensou já em trocar de parceiros, que homem não desejou ainda estar com duas mulheres na mesma cama? Quantos não traíram já, às escondidas, as suas mulheres e vice-versa? Não temos esse problema. Não caímos na rotina nem na monotonia da relação a dois, que tantas e tantas vezes conduzem à destruição do casal.” Mas a esposa ressalvava: “Isso não quer dizer que todos os casais devam praticar ‘swing’, nem que assim se resolvam os casamentos”.
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