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Correio da Manhã

Portugal
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Autarca atingido a tiro por amante

Fim do relacionamento extraconjugal levou mulher a tentar matar Carlos Pina. PJ terminou investigação e amante foi constituída arguida.
27 de Junho de 2010 às 00:30
O autarca Carlos Pina foi baleado quando regressava a casa em Lamego. Populares ficaram surpreendidos
O autarca Carlos Pina foi baleado quando regressava a casa em Lamego. Populares ficaram surpreendidos FOTO: D.R.

Desavenças políticas ou um ajuste de contas por recusar projectos do centro de emprego. Estas eram as razões apontadas por familiares para o facto de, a 1 de Dezembro de 2008, Carlos Pina, na altura presidente da Junta de Cambres, em Lamego, ter sido atingido com três tiros à porta de casa. Mas o verdadeiro móbil do crime foi outro: o autarca, de 38 anos, mantinha um relacionamento extraconjugal, há vários meses, que decidiu terminar e a amante tentou matá-lo.

Quase um ano e meio depois, a Polícia Judiciária de Vila Real terminou a investigação do crime. A amante do autarca foi constituída arguida por tentativa de homicídio. O processo está há três meses na posse do Ministério Público, que em breve deverá deduzir a acusação.

A hipótese de se tratar de um crime passional foi desde o início colocada pela PJ. O facto de Carlos Pina não adiantar qualquer motivo para o que aconteceu e de garantir que não viu o atirador causou, de imediato, alguma estranheza aos inspectores. O autarca foi baleado duas vezes no peito e uma no pescoço a curta distância, pelo que era impossível não ter visto quem atirou. Ao que o CM apurou, Carlos Pina teria um relacionamento extraconjugal há alguns meses. A sua mulher, que estava no início da terceira gravidez, descobriu a traição e exigiu ao autarca que terminasse o caso. O presidente assim o fez. Dias antes do crime comunicou a decisão à amante.

Bastante revoltada, a arguida decidiu vingar-se do autarca. A 1 de Dezembro, pelas 23h30, esperou que Carlos Pina, que tinha estado num café a ver um jogo de futebol, se dirigisse para a entrada de casa. Aí disparou três vezes e fugiu sem deixar rasto. O autarca ficou estendido no chão, entre a vida e a morte. No local, ainda foi assistido por vizinhos e depois transportado ao hospital, onde esteve 25 dias em estado de coma.

Após ter alta, a vítima continuou à frente da Junta. No entanto, não se voltou a candidatar à presidência no ano passado, tendo apenas concorrido em quarto lugar numa lista à Assembleia da Freguesia.

PORMENORES

TRÊS FILHOS

O autarca tinha, em 2008, dois filhos, de quatro e nove anos. Na altura do crime, a sua mulher descobriu que estava grávida de uma terceira criança.

CENTRO DE EMPREGO

Para além de ser presidente da Junta, Carlos Pina trabalhava no Centro de Emprego de Lamego.

POPULARES

Os populares de Cambres ficaram em estado de choque com o ataque ao autarca.

DEIXOU EMPREGO PARA CONSEGUIR CUIDAR DO MARIDO

A recuperação de Carlos Pina foi muito complicada e sempre vigiada pela Polícia Judiciária. O autarca chegou mesmo a confidenciar que, durante meses, sentiu medo de voltar a ser atacado. O presidente da Junta de Cambres permaneceu, no total, 50 dias no hospital. Durante metade desse tempo, chegou a estar em estado de coma. Na altura do crime, a sua mulher, enfermeira de profissão, abdicou do trabalho para estar ao lado do marido, a quem dias antes exigiu que terminasse a relação extraconjugal que aquele mantinha há meses.

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