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Correio da Manhã

Portugal
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AUTARCA NEGA TUDO

O presidente da Câmara Municipal de Ourique, José Raul dos Santos, desmentiu, ontem, o seu eventual estado de embriaguez na madrugada de terça-feira, quando se envolveu em incidentes com funcionários de um restaurante localizado em Quarteira.
5 de Dezembro de 2002 às 00:00
Em comunicado, o autarca alega ter sido “brutalmente agredido, por elementos da segurança do estabelecimento, sem qualquer explicação ou motivo”, mas a sua versão contraria os factos participados pela GNR ao tribunal de Loulé.

O alegado envolvimento físico de Raul dos Santos com funcionários do restaurante ‘Nakofino’ verificou-se cerca das 03h00, quando o autarca constatou não possuir dinheiro para pagar a conta, no valor de 30 euros. Tendo em co que o sistema de multibanco do restaurante estava desligado, Raul dos Santos pediu ao motorista que o acompanhava, para se dirigir a uma caixa automática a fim de levantar dinheiro. E é aqui que as versões do autarca, do gerente do restaurante e da própria GNR, começam a divergir.

De acordo com fonte policial, a GNR foi chamada ao local por um responsável do restaurante, devido a distúrbios causados pelo autarca eleito pelo PSD. Raul dos Santos terá, na altura, recusado identificar-se aos militares, pelo que foi conduzido ao posto de Quarteira, para onde se deslocou também o seu motorista, depois de ter ficado retido no exterior devido a uma alegada avaria no automóvel. Face ao “estado de indisposição e a indícios de agressão física de que teria sido alvo”, já que tinha a roupa rasgada, os elementos da GNR providenciaram o transporte do presidente ao Hospital de Faro, unidade que abandonou depois de, segundo testemunhas, ter recusado qualquer tratamento médico.
Raul dos Santos justifica “qualquer comportamento” seu como uma “reacção ditada pelos acontecimentos”, ou seja, a“estupefacção sentida, por não perceber as razões para o uso da violência” de que diz ter sido vítima.

Contrariando a versão do gerente do restaurante, o autarca alega ter sofrido “hematomas por todo o corpo” e afirma que, quem chamou a GNR, foi o motorista, também ele “vítima de agressões”,pelo que vai apresentar uma queixa-crime contra os seguranças.
Acção judicial que o gerente do ‘Nakofino’, Joaquim Almeida, formalizará hoje contra o autarca,“por querer ir embora sem pagar”. Aquele responsável alega desconhecer a prática de agressões físicas contra o autarca e desacatos no estabelecimento: “Ele não tinha as roupas rasgadas”, alega. A conta acabaria por ser paga por “alguém do PSD”.

Apesar das várias tentativas para obtermos mais pormenores sobre o caso, o autarca esteve ontem incontactável devido a “reuniões sucessivas”.
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