Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal

Autópsia aponta para crime

Ganha força a tese de homicídio do comandante do trimarã ‘Intermezzo’, cujo corpo apareceu amarrado e com pesos, dentro da cabine. “Temos a ideia de que [o velejador] foi morto perto de terra”, disse à Lusa fonte policial. Uma hipótese reforçada pelo resultado da autópsia que, segundo a TVI, revelou que André Le Floch não tinha água nos pulmões e que foi agredido. A SIC avançou, por seu turno, que a morte não foi por afogamento.
22 de Agosto de 2006 às 00:00
Mas o mistério que envolve o naufrágio do ‘Intermezzo’ não se fica por aqui. Sabe-se, agora, que o casal francês detido preventivamente sob suspeita do homicídio do comandante do veleiro, que se virou ao largo do Cabo de São Vicente na semana passada, terá mentido quanto ao seu grau de parentesco e a forma como o cadáver estava na embarcação.
Corine Caspar e Tierry Baile (ou Baille) recebem hoje – ela na prisão de Odemira e ele na de Portimão – a visita de uma enviada da Embaixada de França. O advogado oficioso dos dois franceses, Francisco Pagarete, acompanha a visita a Tierry e espera obter mais dados. “Como está nem tenho base para recorrer da preventiva”, disse, ao CM, o advogado.
Segundo Pagarete, “tudo aponta para que [Corine e Tierry] não tenham qualquer grau de parentesco”. Os dois disseram ser irmãos e justificaram os apelidos diferentes com o facto de um deles ter sido dado para adopção. Corine, 48 anos, nasceu em Rabat e Tierry, 51, nasceu em Paris.
Ambos têm nacionalidade francesa e, segundo disseram, a mesma profissão: técnicos de informática. Ele tem cadastro, condenado há anos a uma pena suspensa de três meses de prisão, devido a altercação com vizinhos. Disseram também que viviam em Espanha há dois anos.
“Estavam de férias e tinham começado um cruzeiro recreativo pela costa algarvia”, diz o advogado.
Na noite do naufrágio, o ‘Intermezzo’ virou-se com o comandante André Le Floch amarrado de pés e mãos e com pesos, dentro da cabine. Não houve SOS e o barco virou-se de vela içada em plena tempestade.
AUTÓPSIA FOI ESCLARECEDORA
“A autópsia foi esclarecedora e deu indicações muito úteis para a prossecução das investigações”, revelou ao final da tarde de ontem Duarte Nuno Vieira, presidente do conselho directivo do Instituto de Medicina Legal (IML), que realizou, em conjunto com outro médico, os exames ao corpo de André Le Floch no Hospital de Portimão. Este responsável afirmou que “a PJ esteve presente na autópsia” (que demorou cerca de quatro horas), recusando-se a revelar resultados específicos, nomeadamente se a morte foi ou não por afogamento, alegando segredo de Justiça.
Apesar disso, a TVI adiantou que o exame ao cadáver não mostrou água nos pulmões, o que indicará que não houve morte por afogamento, conforme noticiou a SIC.
O IML irá efectuar exames complementares e, “só dentro de semanas, será remetido o relatório final para o Ministério Público”, disse Duarte Nuno Vieira. A companheira da vítima deslocou-se ontem ao Algarve. Danielle Bariou, acompanhada pela filha Veronique, chegou ao Aeroporto de Faro às 11h55, onde era esperada pelo cônsul francês. Pelas 14h30 Danielle Bariou chegou, a chorar, à morgue para proceder à identificação do cadáver.
'INTERMEZZO' DEVERÁ SER IÇADO HOJE
O trimarã ‘Intermezzo’, que naufragou a semana passada, só será virado hoje, de forma a permitir a realização de perícias ao interior do barco. As autoridades ainda não tinham ontem definido se iriam retirar a embarcação de dentro de água ou se se limitariam a pô-la a flutuar na sua posição normal. De acordo com o comandante da Zona Marítima do Sul, Reis Ágoas, está tudo dependente de a grua existente no cais comercial ter ou não capacidade para içar o barco para terra firme.
Reis Ágoas referiu ao Correio da Manhã que a operação para virar o ‘Intermezzo’ não se concretizou ontem pelo facto de a referida grua se encontrar ocupada com o carregamento de um navio com madeira e de ter sido entendido que não valia a pena interromper esse trabalho.
É provável que os próprios investigadores da Polícia Judiciária prefiram ter em seu poder elementos sobre a autópsia, realizada ontem, ao corpo de André Le Floch antes de realizarem a perícia ao barco.
PORMENORES
O trimarã ‘Intermezzo’, que naufragou a semana passada, só será virado hoje, de forma a permitir a realização de perícias ao interior do barco. As autoridades ainda não tinham ontem definido se iriam retirar a embarcação de dentro de água ou se se limitariam a pô-la a flutuar na sua posição normal. De acordo com o comandante da Zona Marítima do Sul, Reis Ágoas, está tudo dependente de a grua existente no cais comercial ter ou não capacidade para içar o barco para terra firme.
Reis Ágoas referiu ao Correio da Manhã que a operação para virar o ‘Intermezzo’ não se concretizou ontem pelo facto de a referida grua se encontrar ocupada com o carregamento de um navio com madeira e de ter sido entendido que não valia a pena interromper esse trabalho.
É provável que os próprios investigadores da Polícia Judiciária prefiram ter em seu poder elementos sobre a autópsia, realizada ontem, ao corpo de André Le Floch antes de realizarem a perícia ao barco.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)