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Correio da Manhã

Portugal
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Jogadores de futebol e dirigentes entre os 47 arguidos na operação "Fora de Jogo"

No total foram envolvidos nesta megaoperação 300 elementos entre magistrados, inspetores tributários e militares da unidade de Ação Fiscal da GNR.
Correio da Manhã 4 de Março de 2020 às 08:54
Estádio da Luz
Estádio da Luz
O Ministério Público constituiu esta quarta-feira 47 arguidos na operação "Fora de Jogo". Entre os arguidos estão 24 pessoas coletivas e 23 singulares que são jogadores de futebol, agentes, advogados e dirigentes desportivos. 

Foi realizada, esta quarta-feira, a maior operação de buscas feita pela Autoridade Tributária a várias SAD do futebol português. Mais de 200 inspetores, acompanhados por elementos da GNR e vários procuradores do DCIAP, recolheram informações sobre contratos celebrados com jogadores e o pagamento de comissões a agentes desportivos. FC Porto, Benfica, Sporting e Sp. Braga estão entre os visados da operação. Também recaem suspeitas sobre o Marítimo e o Portimonense. Em causa estão suspeitas de crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais


Realizaram-se 56 buscas - 40 domiciliárias e 31 não domiciliárias - às sete maiores sociedades anónimas desportivas, clubes da 1ª Liga e ainda a cinco escritórios de advogados e buscas domiciliárias. No total foram envolvidos nesta megaoperação 300 elementos entre magistrados do MP (11), magistrados judiciais (7), inspetores tributários (101) e militares da unidade de Ação Fiscal da GNR (181). 

O CM sabe que estão a ocorrer buscas às casas de vários presidentes de clubes, entre os quais Luís Filipe Vieira (Benfica), Jorge Nuno Pinto da Costa (FC Porto), Frederico Varandas (Sporting) e António Salvador (Sp. Braga).

Cerca das 08h15 desta quarta-feira começaram as buscas no Estádio da Luz. No Estádio de Alvalade, onde já se encontra o dirigente Frederico Varandas, e no Estádio do Dragão também  já estão a decorrer. Na casa do agente Jorge Mendes, no Porto, estão igualmente presentes militares da GNR, bem como na sede da Gestifute.

Cerca das 10h00 iniciaram-se buscas ao escritório de advogados Morais Leitão, onde trabalha Carlos Osório de Castro e de Morais Leitão. As mesmas estão a ser presididas pelo juiz Carlos Alexandre.

Trata-se de uma investigação que começou em 2015 e que teve a colaboração das autoridades fiscais espanholas, francesas e inglesas. Em causa estão crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Em comunicado o Ministério Público confirmou a realização de 76 buscas, "inclusive, domiciliárias, designadamente, em diversos clubes de futebol, respetivos sociedades e dirigentes, escritórios de advogados e agentes intermediários".


"No inquérito investigam-se negócios do futebol profissional, realizados a partir do ano de 2015, e que terão envolvido atuações destinadas a evitar o pagamento das prestações tributárias devidas ao Estado português, através da ocultação ou alteração de valores e outros atos inerentes a esses negócios com reflexo na determinação das mesmas prestações. Em causa estão factos suscetíveis de integrarem a prática de crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais", pode ler-se.
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