Viu a morte de frente pela segunda vez em três anos. E ela tinha o mesmo rosto: um traficante de droga de 20 anos. Um agente da Esquadra da Investigação Criminal da PSP do Seixal (Torre da Marinha) esteve anteontem à tarde na mira do revólver do jovem cabo-verdiano no Bairro da Jamaica, Fogueteiro.
O criminoso – ainda a monte – apontou a arma ao agente que o perseguia e premiu o gatilho. O revólver de calibre 32 encravou e não disparou, uma avaria rara naquele tipo de arma de fogo e que, provavelmente, faz com que a PSP não esteja agora a chorar o quarto agente assassinado este ano.
Incrivelmente, o mesmo agente já se tinha visto numa situação igual em 2002. O mesmo traficante teve com ele um frente-a-frente no mesmo local. O criminoso estava então armado com uma pistola calibre 7,35 mm que também encravou quando o gatilho foi apertado. O traficante foi então preso e condenado a três anos de cadeia. Saiu recentemente da cadeia do Montijo apenas para fazer o mesmo.
O momento de sorte de anteontem começou pelas 14h00. Uma brigada da Esquadra de Investigação Criminal – três agentes à civil num carro descaracterizado – resolveu entrar no problemático Bairro da Jamaica para “marcar terreno”, ou seja, dizer aos traficantes que ali abundam que estão debaixo de olho da polícia.
Da entrada do bairro, os agentes viram uma figura conhecida, o traficante cabo-verdiano de 20 anos. Um dos polícias verificou que o jovem tinha um volume suspeito à cintura. A brigada aproximou-se e confirmou o pior receio: o volume era afinal uma arma de fogo.
Conhecedores do criminoso violento que tinham pela frente, os agentes decidiram tomar cautelas. Aproximaram-se furtivamente para que o traficante não os visse. O objectivo era dominá-lo e detê-lo sem alarido ou recurso à força.
Só que o traficante viu os agentes e iniciou a fuga. Numa correria louca, sempre perseguido pelos três agentes, o cadastrado saiu do Bairro da Jamaica e fugiu pela movimentada Estrada Nacional 10.
Nesse local, a determinada altura da perseguição, o fugitivo virou-se para trás e apontou o revólver .32 ao agente que estava mais próximo – precisamente o mesmo que tinha tentado assassinar em 2002. Pressionou o gatilho mas a arma encravou e não disparou. “Uma avaria muito rara nos revólveres e que provavelmente salvou a vida ao agente”, disse ao CM fonte policial.
Como não conseguiu atingir o agente, o criminoso continuou a fuga em direcção ao Bairro Rio Judeu (também conhecido como Bairro do Cutelinho), onde reside numa barraca sem portas ou janelas. Nos dois quilómetros que separam a Jamaica do Judeu, o jovem deixou cair pelo caminho um maço de notas (no total de 510 euros) e uma pequena bolsa com 120 doses de heroína e 40 de cocaína, que os agentes perseguidores foram apanhando.
Os agentes foram até à casa ocupada pelo suspeito, mas já não o encontraram. Nas imediações descobriram algumas peças de ouro – provavelmente furtadas ou receptadas – o revólver e 14 munições.
Quatro das balas eram de calibre .32 (para o revólver). As restantes dez são de calibre 6.35, o que leva as autoridades a supor que o traficante esteja armado com uma pistola.
Ao início da noite de ontem, a polícia continuava numa ‘caça ao homem’, feita com cuidados redobrados dada a suspeita de o criminoso estar armado.
AVISARAM QUE IAM ENTRAR
O Bairro da Jamaica é conhecido na Margem Sul pelo tráfico de droga e constantes distúrbios que ali acontecem. Por isso mesmo, os três agentes à civil tiveram a precaução de avisar a esquadra que iam entrar no bairro. Um procedimento que, segundo fonte policial, foi adoptado para “evitar surpresas”.
“Os agentes não levavam coletes à prova de bala porque seria só uma passagem pelo bairro. Não estavam à espera de ficar e ver-se envolvidos naquela situação”, disse a mesma fonte.
Durante a perseguição, os elementos da EIC da PSP do Seixal não efecturam qualquer disparo de intimidação ou na direcção do cadastrado. “Era uma situação muito perigosa. Ele estava a correr e as ruas por onde passou são muito movimentadas. Havia muita gente e o perigo de alguém acabar por ser atingido”, referiu a fonte.
ÉVORA
Três agentes da PSP de Évora sentiram de perto a violência de um grupo de jovens do Bairro do Jamaica, no Fogueteiro. A 12 de Julho de 2002, após terem assaltado uma loja de motas, os indivíduos foram descobertos e perseguidos pela PSP. A alta velocidade, os jovens disparam sobre os agentes, conseguindo fugir.
MACHADADAS
A 25 de Agosto do mesmo ano, Hilário Ambrósio, um são-tomense residente no Bairro do Jamaica, foi parar ao Hospital Garcia de Orta, em Almada. Após uma discussão com outro indivíduo, a vítima foi agredida com várias machadadas na cabeça.
'COBRA'
Na Margem Sul do Tejo, era conhecido como ‘Cobra’. Ex-militar em Angola, ‘parava’ muitas vezes no Bairro do Jamaica, onde a GNR o referenciou por tráfico de droga. A 12 de Setembro de 2002 foi detido, tendo a GNR conseguido retirar-lhe uma pistola-metralhadora UZI.
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
Agentes da Esquadra de Investigação Criminal da PSP do Seixal abortaram, a 2 de Novembro de 2003, um esquema de exportação de material roubado do Bairro do Jamaica para São Tomé e Príncipe.
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