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Correio da Manhã

Portugal
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Avião arranca telhado

Agora parece que os aviões voam todos muito baixinho”, afirma Francelina Silva, uma das moradoras que viram anteontem um avião da Noric Regional, que se preparava para aterrar no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, na Maia, arrancar-lhe parte do telhado e colocar-lhe em risco de queda o tecto da sala de jantar.
17 de Julho de 2006 às 00:00
O incidente ocorreu sábado às 13h43, na Rua das Telheiras, em Perafita, Matosinhos, mas ainda ontem eram visíveis os danos causados pelo McDonnell Douglas MD87, proveniente de Tenerife.
“Estávamos a comer quando aquilo aconteceu. Parecia uma mistura de tufão com tremor de terra. Foi caótico, as pessoas ficaram todas em pânico”, conta ao CM outra das moradoras da zona que mais danos materiais sofreu na habitação, Sandra Oliveira, de 25 anos.
Vários postes de electricidade e árvores não aguentaram a pressão da deslocação de ar provocada pelo avião que tentava ganhar altitude, depois de receber um aviso da torre de controle para o facto de estar a voar a uma altitude mais baixa do que o recomendável. Um clarão de pó invadiu o ar e os vidros de carros e pedaços de telha espalharam-se pelo chão. Estes são vestígios que ajudam a avivar uma memória que dificilmente se apagará.
“O meu netinho, o Vasco, de cinco anos, ficou cheio de medo e dobrou-se todo sobre ele mesmo”, afirma Francelina. O tecto da sala está agora em risco de ruir e por precaução tem dormido na casa da filha Cristina. “Tínhamos acabado de almoçar quando ouvi aquele barulho todo e me apercebi dos vidros da porta a estoirar e das telhas a partirem. Se não tivesse fechado as janelas isto tinha sido muito pior. Tinha-me rebentado com a casa toda. Mas o estado do telhado deixa-me com receio”, acrescenta a moradora.
Paula Martins ainda tem as marcas da passagem do voo rasante. Uma telha causou-lhe um golpe no braço quando regressava de tomar o café.
“O meu marido estava na cama a descansar e sentiu a clarabóia a rebentar e os vidros caíram todos em cima dele”, disse Paula. “Olhe, isto foi uma deslocação de ar tão brutal que nem os postes feitos de cimento aguentaram”, afirma a mesma moradora apontando para um poste de electricidade retorcido.
'NEM COM O CONCORD'
Apesar de viverem há muitos anos junto ao aeroporto, os habitantes da Rua das Telheiras estão surpreendidos pelo sucedido, pois não têm memória de uma situação deste género.
“Uma vez esteve aí o Concord, um fim-de-semana inteiro, e não se passou nada deste género. Já sabíamos que sempre que ele levantava ou descolava, se tínhamos bacias ou vasos no pátio, iam ser arrastados. Mas uma situação como esta sinceramente não me lembro”, afirma Paula Martins.
Os moradores esperam agora que a companhia de seguros da Nordic Regional assuma rapidamente a responsabilidade dos prejuízos do incidente.
MORADORES ESPERAM SER INDEMNIZADOS
Os prejuízos ainda estão por calcular, mas os moradores esperam ser o quanto antes contactados pela companhia de seguros que representa a empresa de aviação, para o pagamento dos danos.
“A GNR e a PSP estiveram cá em casa a ver o que tinha acontecido. Fizeram perguntas e tiraram fotografias. Esperamos agora que nos contactem para que possamos resolver isto”, disse Paula Martins.
Logo após o incidente a ANA – Aeroportos de Portugal enviou um representante para falar com os moradores.
“Explicaram-nos que tinham dado a indicação ao piloto, através da torre de controle de que ele estava a voar baixo de mais, mas que mesmo assim não foi possível evitar o acidente ”, afirmou Sandra Oliveira.
O aparelho da Nordic Regional, com operação da responsabilidade da companhia Air Plus, tinha um voo marcado para as 14h30, mas teve de esperar até ser notificado antes de poder seguir o seu percurso.
O Aeroporto Francisco Sá Carneiro remeteu para hoje as explicações oficiais sobre quais foram as causas do incidente.
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