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Correio da Manhã

Portugal
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AVIÃO ESPIA MARÉ NEGRA

O avião francês que está em Portugal para apoiar no combate à maré negra realizou ontem uma viagem até à zona do afundamento do “Prestige”, não tendo detectado qualquer mancha de fuelóleo na costa portuguesa. O “Piper Navajo” está equipado com dois sensores, que permitem detectar manchas subaquáticas até 10 metros de profundidade.
19 de Dezembro de 2002 às 00:00
De acordo com um dos responsáveis da equipa de investigação francesa, para que se consiga detectar as manchas mais facilmente, “é necessário que o Sol esteja o mais alto possível e que a água seja transparente, isto porque os sensores vêem através da água e quanto maior for a transparência melhor”, adianta Frederic Romengaud.

Durante a viagem de ontem, bem como nas próximas, o bimotor francês será acompanhado pelo Aviocar português da Força Aérea que dispõe de um sensor semelhante ao “Piper Navajo”, que detecta as manchas e calcula em metros cúbicos a quantidade de crude existente na água. A diferença entre os dois mecanismos é “o facto de um dos sensores conseguir detectar manchas à noite e a uma profundidade superior”, explica o mesmo responsável.

Os sensores instalados no avião francês estão ainda em fase experimental, embora um deles, denominado CASI, tenha já sido utilizado em situações de poluição que ocorreram no Alasca, “tendo sido obtidos bons resultado, que se esperam também nesta investigação. Posteriormente, poderão vir a complementar os meios de vigilância actuais, permitindo uma maior segurança no combate à poluição marítima”, acrescenta Frederic Romengaud.

NAVIO EM TERRA

Pelo terceiro dia consecutivo, o “Northen Corona” ficou em terra devido ao mau estado do mar. De acordo com informações do Serviço de Combate à Poluição da Marinha, “a ondulação de três a quatro metros que se regista na costa Norte impede o navio de operar”, afirma Baganha Fernandes.

O mesmo responsável acrescentou ainda que “não há qualquer motivo de preocupação, até porque as manchas já devem estas todas em águas espanholas”. O navio norueguês, que está em Portugal desde o dia 10, só operou dois dias, tendo recolhido cerca de 160 mil litros de fuelóleo.

REVESTIR O PRESTRIGE

Técnicos franceses colocam a possibilidade de revestir de forma estanque os destroços do “Prestige”, à semelhança de um sarcófago, para evitar a dispersão do fuel-óleo. Entretanto, proceder-se-ia à reparação das fissuras detectadas pelo submarino “Nautille”, o que vai demorar semanas.

Segundo especialistas ouvidos pelo diário “Le Monde”, bombear o fuel do “Prestige” não é fácil. O produto tornou-se viscoso devido às baixas temperaturas no fundo do mar e importa fluidificá-lo. Ao invés, pode optar-se por torná-lo mais pesado, retendo-o.

Qualquer uma destas possibilidades implica o posicionamento dinâmico de um navio, capaz de permanecer na vertical em relação aos destroços, tal como as plataformas de exploração de petróleo em águas profundas.

ENQUADRAR VOLUNTÁRIOS

Às vezes a boa vontade não chega. Mais importante é o saber técnico. O assunto é motivo de debate, na França, a propósito da mobilização de voluntários para acudir à catástrofe do “Prestige”.

As empresas especialistas na limpeza do petróleo elogiam a vontade dos cidadãos, mas alertam para a necessidade de enquadrá- -la, de modo a evitar procedimentos errados, como colocar o produto sobre a areia, o que torna o tratamento daquele mais difícil.

Algumas associações ambientalistas consideram, por seu lado, que não compete aos voluntários dar resposta a tais situações. “Deve aplicar-se o princípio do poluidor-pagador “, disse ao “Le Monde” Pascal Braud, do Colectivo de Cidadãos contra as Marés Negras de Saint-Nazaire.
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