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Correio da Manhã

Portugal
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Aviões vieram tarde

Ao terceiro dia chegaram os meios aéreos a Barcelos e, finalmente, o fogo começou a ceder, depois de ter destruído mais de dois mil hectares. O incêndio foi dado como controlado e praticamente extinto ao início da noite, apesar de se manter todo o dispositivo operacional no terreno, para evitar os reacendimentos registados nas noites anteriores.
7 de Junho de 2006 às 00:00
Após mais de 48 horas de combate ao fogo, as chamas estavam ontem ao início da noite dadas como circunscritas pelos bombeiros
Após mais de 48 horas de combate ao fogo, as chamas estavam ontem ao início da noite dadas como circunscritas pelos bombeiros FOTO: Estela Silva/Lusa
Só que a dimensão dos prejuízos e a chegada tardia das aeronaves revoltaram os populares de Fragoso, que ontem não se pouparam em protestos perante o secretário de Estado da Administração Interna, Ascenso Simões, obrigando mesmo à entrada em cena do Pelotão de Intervenção Rápida da GNR de Braga.
Responsáveis do comando de operações e governantes tentaram explicar as decisões tomadas quanto aos meios usados, mas os populares não conseguem perceber como é se anuncia que os meios aéreos são apenas usados na fase de início de fogos, mas não foram solicitados nessa altura. No período mais crítico do incêndio, o fumo e o vento também eram apontados como impeditivos, mas, afinal, ontem apareceram um helicóptero vindo de Santa Comba Dão e um avião Canadair enviado por Espanha.
Para agravar a desconfiança, os bombeiros no terreno e até o comandante dos Voluntários de Barcelos, José Quintas, reconheceram que não se podia justificar a não utilização de meios aéreos com o risco de danificar habitações ameaçadas pelo fogo – como afirmou o governador civil do distrito, Fernando Moniz.
Com os ânimos exaltados, os populares encararam os meios terrestres – cerca de 300 bombeiros de mais de 40 corporações (incluindo da zona de Lisboa, Leiria e Coimbra) e 70 militares do Exército – como um “desperdício”, devido a alegadas incapacidades de comando.
“Andam aqui os bombeiros todos para a trás e para a frente, sem saber o que hão-de fazer”, protestava Artur Queirós. Os populares decidiram mesmo organizar um desfile de tractores com cisternas, para mostrar vários locais junto a casas que – diziam – só foram salvas das chamas, durante a madrugada pela acção popular.
BOMBEIROS ANTECIPAM MEIOS AÉREOS
O segundo-comandante do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, Joaquim Leitão, disse ontem que Maio foi o pior mês dos últimos seis anos em risco de incêndio, pelo que foram acrescentados mais dois meios aéreos – que só deveriam ser usados a partir de dia 15 – aos 18 já disponíveis.
“Amanhã entra um Canadair e estamos a tentar acelerar a entrada do outro”, afirmou o responsável, adiantando que desde o dia 15 de Maio já se registaram 2816 fogos que obrigaram à activação de 24 63 7 bombeiros. Anteontem, foi o segundo pior dia, com 227 fogos.
PORMENORES
CHAMAS EM VISEU
Uma centena de bombeiros combatia, ao início da noite de ontem, um incêndio já controlado numa zona de floresta e mato de Gumiei, Viseu. O fogo chegou a ameaçar a povoação de Covelos.
FOGOS ACTIVOS
Às 20h35 de ontem, as chamas lavravam ainda nos concelhos de Almeida (único por controlar), Guarda, Évora, Mondim de Basto, em Vila Real, Vale
de Cambra, em Aveiro, Ponte da Barca e São João da Pesqueira, em Coimbra.
POR TODO O PAÍS
Durante o dia de ontem registaram-se fogos em Poiares, Campo Maior, Redondo, Idanha-a-Nova, Chaves, Guarda, Marco de Canaveses e Sintra.
INCENDIÁRIO PRESO
A PSP de S. João da Madeira deteve anteontem um incendiário, de 39 anos, depois de atear fogo a uma mata, colocando em perigo habitações. Justificou fez umas “brasas” para assar carne à mãe.
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