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Correio da Manhã

Portugal
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Avô diz estar inocente e pronto para a Justiça

A menina de seis anos que se encontra internada no Hospital de Bragança, por alegadas tentativas de violação por parte do avô paterno, esteve à sua guarda durante um ano e sete meses, por ordem do Tribunal, período em que o pai da menina esteve preso por tráfico de droga.
15 de Janeiro de 2007 às 00:00
“Enquanto esteve connosco nunca se queixou nem houve problemas”, afirmou Ramiro Augusto Nunes, de 68 anos, que repudia a acusação de tentativa de violação da neta. “Acusam-me do que não fiz. Estou de consciência tranquila, e quero que tudo se esclareça. É uma falsidade”, disse ao CM Ramiro Nunes, que estava acompanhado da mulher, Corália Jesus Morais, de 61 anos.
A conversa com o casal decorreu na antiga barbearia de Ramiro Nunes, local onde é acusado de tentar violar a neta. Ramiro Nunes diz-se inocente e pronto para enfrentar a Justiça.
Atenta às palavras do marido estava Corália Morais, que, com a voz embargada, contou que viu a neta fugazmente no hospital, quando foi lá com a filha grávida a uma consulta. “Quando a menina me viu, pediu-me para a tirar dali. É que depois de o pai voltar para casa fugia muitas vezes para junto de nós, pedindo comida”, confessou.
Contam os avós que depois do dia 24 de Dezembro nunca mais viram a neta. Quatro dias depois receberam a má notícia. “A minha nora telefonou à minha filha para dizer que o pai dela tinha violado a menina. Perguntei ao meu homem se era verdade. Ficou chocado com acusações tão graves. Depois de tudo acalmar prontificámo-nos a levar a menina ao hospital”, concluiu Corália Morais.
Confirma que o marido insultou a nora pelo telefone assim que soube da acusação que lhe fizeram.
“Reagiu assim porque diz estar de consciência tranquila, mas ficou muito abalado porque é uma ingratidão para quem gosta tanto da menina, como é o nosso caso. Quero crer que a verdade virá ao de cima”, diz.
Contudo, a avó da criança sublinhou que, caso a Justiça prove que o marido abusou da neta, “ele deverá pagar pelo que fez”.
Os pais da menina, ambos de 38 anos, e os avós paternos, vão ser ouvidos no Tribunal, no próximo dia 23.
DENÚNCIAS ESTÃO A AUMENTAR
As denúncias de abuso sexual aumentaram nos últimos anos, na sequência do mediático processo de pedofilia da Casa Pia (385 queixas em 2000, contra 1377 de 2005). Quando falsas, podem destruir lares e famílias e colocar inocentes atrás das grades. Como exemplo: os 1377 processos-crime por abuso sexual ou violação levaram à detenção de 180 suspeitos (13% do total).
Em Outubro passado, o CM publicou a história de Ana Catarina, 21 anos, que, há nove anos, acusou o pai de a ter violado. Agora arrependeu-se e garantiu ter sido o padrasto quem a violou. Perante a falta de provas, o pai não foi condenado em Tribunal, mas Ana Catarina acusou a mãe de a ter “manipulado” para “salvar” o padrasto (verdadeiro violador). Dias depois, foi a mãe quem acusou a filha, então de 12 anos, de “se meter na cama” do padrasto. Noutro caso, um casal brasileiro acusou o marido da ama de abusar do filho de 16 meses. Os primeiros exames no hospital não revelarem sinais de abusos sexuais.
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