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Correio da Manhã

Portugal
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Avô pedófilo apanha sete anos de cadeia

Olhos fixos no vazio e sem esboçar qualquer tipo de reacção, um comerciante reformado, de 70 anos, foi ontem condenado pelo Tribunal de Leiria a sete anos e meio de prisão, por ter abusado sexualmente da neta quando esta tinha nove anos. Passou todo o julgamento em silêncio, mas os depoimentos da vítima, associados aos relatórios médicos e psicológicos, revelaram-se suficientes para fazer prova de um crime continuado de abuso sexual de criança.
29 de Junho de 2010 às 00:30
O arguido apresentou-se ontem em tribunal tranquilo, em silêncio e sem mostrar sinais de arrependimento
O arguido apresentou-se ontem em tribunal tranquilo, em silêncio e sem mostrar sinais de arrependimento FOTO: Ricardo Graça

Segundo o tribunal, o septuagenário aproveitou-se do facto de ficar sozinho em casa com a neta para praticar todo o tipo de abusos, entre Março e Maio de 2009. Começou por beijá-la na boca e nos seios e depressa evoluiu para actos mais graves, como a tentativa de sexo oral, vaginal e anal. O pedófilo chegou a subscrever canais televisivos de cariz pornográfico para visualizar com a neta menor. E, à criança, fez crer que "eram namorados", que não devia contar nada aos pais porque o que estavam a fazer "era um segredo entre os dois".

Em Maio de 2009, a mãe da criança surpreendeu os dois na cama, debaixo de uma manta, ouvindo a filha a dizer: "pára avô". Confrontou-a com as suspeitas e a menina denunciou os abusos.

"A criança não tinha noção da relação, ao contrário do senhor, que satisfez os seus impulsos sexuais. Os actos que cometeu são muito graves", afirmou o juiz Duarte Nunes. "Espero que pense bem no que fez à sua neta, porque vai ter muito tempo para isso", concluiu o magistrado, perante o pedófilo que se mostrou imperturbável.

PORMENORES

PERTURBADA

Os abusos deixaram a menor "com pesadelos, revoltada e receosa, deixando de conviver com os amigos". Necessitou de acompanhamento psicológico.

INDEMNIZAÇÃO

O arguido foi condenado a pagar à neta uma indemnização de 30 mil euros. O pedido cível foi aceite na íntegra pelo colectivo de juízes.

RECURSO

A defesa admite recorrer do acórdão para o Tribunal da Relação de Coimbra. O reformado mantém-se, por isso, em prisão domiciliária.

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