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Correio da Manhã

Portugal
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AVÔ RATO PESCA ESTUDANTES

"Altamente", "um espectáculo", "bué de fixe" e "assim também eu ficava cá", foram alguns dos comentários feitos pelos alunos das escolas de Peniche convidados a visitar barco de pesca 'Avô Rato', onde imperam a tecnologia e os sistemas inovadores.
8 de Fevereiro de 2004 às 00:00
Mais de 150 alunos visitaram o barco de pesca Avô Rato
Mais de 150 alunos visitaram o barco de pesca Avô Rato FOTO: Carlos Barroso
A iniciativa mobilizou mais de 150 estudantes do 9.º ano da Escola Básica 2-3 de Atouguia da Baleia e da Escola Básica Integrada 1-2-3 de Peniche, com idades entre os 14 e os 16 anos, e utentes do Centro de Reabilitação Profissional, procurando despertar-lhes a vocação para serem pescadores.
Os jovens tiveram, assim, oportunidade de visitar um dos mais modernos barcos de pesca existentes em Portugal. "Sob o lema 'Não pescas nada?', esta acção de sensibilização englobada no Projecto ISTMO, mostrou aos alunos todos os compartimentos da embarcação.
Danny quis saber: "Qual é a sensação de passar longos meses no mar?". O mestre António Jorge respondeu: "É bastante aliciante porque corremos o Mundo, conhecemos muitos países e culturas e quase todos os dias vejo golfinhos e outros animais".
"A única agravante é estar longe da família, mas o tempo das viagens varia e estamos sempre em contacto com a casa, por telefone, rádio ou até pela Internet", explicou.
Questionado pela Marisa sobre quanto se ganha, o mestre disse que pode variar entre "dois a três mil contos, em cinco meses".
"E como é a alimentação a bordo?", questionaram vários alunos. "Come-se bastante bem, porque se leva de terra carne e peixe congelado e há um cozinheiro a bordo", respondeu António Jorge.
No entanto, o mestre teve o cuidado de explicar aos estudantes que a vida do pescador não é "um mar de rosas", salientando: "Infelizmente, já vi navios naufragarem e já socorri pescadores, e tudo o que aconteça tem de ser resolvido no mar".
HISTÓRIAS DE UM DIA INESQUECÍVEL
GRANDE INVESTIMENTO
O ‘Avô Rato’ custou três milhões de euros, tem 42 metros de comprimento e uma tripulação de 18 profissionais. Dedica-se à captura de grandes migradores (como o espadarte e o atum) em águas do Índico e nas costas da África do Sul. Pertence a um armador sedeado no porto de Peniche e tem como mestre António Jorge. “Andei sempre em boas escolas, mas chumbei por faltas e aos 15 anos fui para o mar. Hoje é a paixão da minha vida”, contou.
NOVAS TECNOLOGIAS
O uso da Internet, com uma câmara de vídeo, para falar com a família, fascinou os jovens, embora o mestre lamente as tarifas muito caras: “Falo com o meu filho todos os dias, pago dois euros por minuto e ao fim do mês tenho uma factura de 150 contos”. Enquanto olhava o equipamento, a Mónica admitia que “talvez” se pudesse “interessar pela pesca”, mas com uma condição: “Se for para mandar!”.
INVESTIR NO FUTURO
O Projecto ISTMO é uma parceria de cinco organizações de Peniche. Acreditam que a médio prazo haverá um reflexo destas acções, que procuram recrutar mão-de-obra jovem e qualificada. Curiosa, a Ana perguntou se “não há mulheres na pesca”, enquanto que André quis saber se “os homens não se fartam”. O mestre disse que a actividade no mar é constante e noutros países é mais frequente ver mulheres a chefiar em profissões ligadas à pesca.
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