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Correio da Manhã

Portugal
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Azeméis em choque com morte de jovem bombeiro

Lágrimas, choro, olhares vazios, e corpos prostrados. Era este o cenário de dor que se vivia no quartel dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis, onde foi velado o corpo de Bruno Santos, de 23 anos, solteiro, o jovem bombeiro que anteontem morreu em Palmaz num acidente de viação a caminho de um incêndio florestal.
14 de Agosto de 2005 às 00:00
Desespero de familiares no velório do bombeiro Bruno Santos
Desespero de familiares no velório do bombeiro Bruno Santos FOTO: João Carlos Malta
Na viatura dos bombeiros que capotou, viajavam mais três ‘soldados da paz’, dos quais dois tiveram de ser transportados para o Hospital de Santo António, no Porto. Pedro Figueiredo, 34 anos, engenheiro de profissão, casado, está em coma e o prognóstico é, segundo fonte médica, muito reservado.
Carlos Severino, de 23 anos, está a “recuperar bem” do traumatismo craniano que sofreu. O terceiro elemento, Vera Marques, de 23 anos, saiu quase ilesa do acidente.
O corpo de Bruno Santos esteve ontem durante todo o dia em câmara ardente na sede dos Bombeiros de Oliveira do Azeméis. O féretro será hoje sepultado pelas 12h30. Durante todo o dia de ontem, centenas de populares e também políticos quiseram prestar uma última homenagem à vítima.
Bruno Santos, apesar de muito jovem, era bombeiro há sete anos e considerado por todos como um “bom amigo, divertido e sempre disponível para ajudar”.
As coroas de flores não pararam de chegar ao quartel. Jorge Pereira, comandante dos Bombeiros de Oliveira de Azeméis, recebia emocionado telefonemas de condolências de outras corporações do País. Todos quiseram prestar homenagem ao jovem bombeiro que perdeu a vida quando se deslocava para o combate a um incêndio em Nespereira de Baixo, em Oliveira de Azeméis.
“Isto é uma tragédia e uma grande perda para nós. O pessoal está todo de rastos ”, disse ao CM Jorge Pereira. O estado de conservação e mecânica da viatura sinistrada era, segundo o comandante, “bastante boa”, uma vez que era quase nova e esta era a primeira viagem após uma reparação. No entanto, alerta o comandante: “Na época de fogos estes veículos são sujeitos a situações de muita violência”.
Jorge Pereira foi ontem também um psicólogo improvisado, na forma como reconfortava os familiares do bombeiro. “O número 76 ficará eternamente reservado”, garantiu.
Apesar de ainda não estar apurado o motivo do acidente, que ocorreu numa estrada municipal em Palmaz, suspeita-se que uma jante tenha partido, causando o despiste e a morte do condutor.
PSD EXIGE CALAMIDADE
O líder do PSD, Marques Mendes, foi ao quartel de Oliveira de Azeméis prestar homenagem ao bombeiro morto. Na ocasião apelou ao Governo para que “reúna rapidamente o conselho de ministros e declare o estado de calamidade onde for preciso” devido aos prejuízos provocados pelos incêndios.
Marques Mendes considerou que “é preciso um plano de emergência para as regiões e as famílias mais afectadas” pelos incêndios. “É preciso acabar com teimosias e arrogâncias e colocar em exercício a solidariedade nacional. O Governo já o devia ter feito”, afirmou o líder do PSD.
71 CUMPREM PENA EFECTIVA
71 incendiários estão neste momento a cumprir pena de prisão efectiva nas cadeias portuguesas, revela o Ministério da Justiça. Segundo os números divulgados, desde 1999 até 2005 foram condenadas e estão a cumprir pena de prisão efectiva 71 pessoas, sendo a pena média de cinco anos.
Segundo dados da Polícia Judiciária divulgados pelo Ministério da Justiça, desde Janeiro até às 00h00 de ontem foram identificados e detidos 85 presumíveis incendiários pelos diversos crimes de incêndio (florestais ou urbanos), 20 dos quais estão em prisão preventiva.
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