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Correio da Manhã

Portugal
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Bairros típicos prontos para arraiais de amanhã

Durante os Santos Populares não há crise! Quem o diz são os vendedores de sardinha, cervejas e afins, que assentam arraiais nos bairros mais típicos de Lisboa e alimentam os milhares de visitantes que, por estes dias, festejam nas ruas da cidade. O CM esteve na Bica e em Alfama, dois dos bairros mais típicos da capital e onde os populares juntam a oportunidade de negócio ao ambiente festivo. As sardinhas são vendidas a partir de um euro, por cada unidade. Sozinho no pão ou guarnecido com uma salada, no prato, este peixe é o petisco mais procurado durante as festas de Lisboa.
11 de Junho de 2009 às 00:30
Os últimos preparativos para a noite mais longa da capital. São esperadas milhares de pessoas amanhã, que vão encher as esplanadas e restaurantes dos bairros mais típicos. Para muitos, é a noite dos negócios.
Os últimos preparativos para a noite mais longa da capital. São esperadas milhares de pessoas amanhã, que vão encher as esplanadas e restaurantes dos bairros mais típicos. Para muitos, é a noite dos negócios. FOTO: Bruno Colaço

Para além da sardinha, o ‘Grupo Excursionista Vai Tu', na Bica, vende travessas de caracóis a oito euros e chouriço assado a cinco euros, entre outras especialidades na brasa. Júlia Pereira, gerente do estabelecimento, diz que, apesar da crise "arranja-se sempre uns tostões para festejar os Santos". Com poucos funcionários e muito trabalho, é o "amor à camisola" que dinamiza toda a actividade.

Mais abaixo, a ‘Colectividade Marítimo Lisboa Clube' prepara-se para receber uma comitiva de quarenta foliões. Ao jantar vão ser servidos grelhados no carvão, mas é a cerveja ‘imperial' a um euro que atrai mais clientes. Catarina Silva, directora da colectividade, diz que o negócio está seguro porque o espaço tem "clientes certos" que nunca falham uma visita. As ameaças de chuva não intimidam os cerca de vinte trabalhadores que vestem a camisola do bairro e muitas vezes pedem dias de férias para poder dar o seu contributo.

Em Alfama, a venda de "comes e bebes" é repetida por dezenas de pequenos espaços. No ‘Retiro Mãe e Filhos", a sardinha está tabelada a um euro e meio, o chouriço assado a sete euros, e a ‘imperial' a dois. Os preços sobem quando os locais de venda se aproximam do centro da festa. Ana Henriques promete que "aqui não há crise" e só a chuva pode travar o negócio.

Maria da Luz dá continuidade a um negócio de família com trinta anos e refere que "a tradição é mais forte do que a crise". Entre as primeiras horas da manhã e as duas da madrugada, existe muito trabalho a fazer. No prato ou fora dele, aqui, a sardinha custa sempre um euro. Para quem não quiser sujar as mãos há ainda chouriço assado, a cinco euros ou uma taça de caldo verde a um euro e meio.

No ‘Retiro dos Lingarós', José Santos diz que "os lucros são uma questão de sorte". O investimento que fez levam-no a pedir dois euros por cada sardinha mas, refere, é o "gosto pela tradição" que o move a estar ali. Quanto à possibilidade de enfrentar a chuva, a resposta é rápida: "a malta nova não tem medo de nada!".

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