Sequestrado durante quarenta minutos dentro do seu Mercedes S320, Norberto Rosa, vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), viveu, anteontem à noite, momentos de terror nas mãos de dois ladrões encapuzados. <br/><br/>
O banqueiro estava a estacionar o carro na rua José Saramago, na Pontinha, onde vive há vários anos, quando foi ameaçado e forçado a passar para o banco traseiro. Com uma pistola apontada à cabeça, Norberto Rosa foi conduzido pelos assaltantes até Telheiras, onde revelou pela primeira vez os códigos de três cartão multibanco que trazia na carteira. Poucos minutos depois, nova paragem em Santo António dos Cavaleiros, Loures, para outro levantamento.
Em todo o percurso, Norberto Rosa, 56 anos, não conseguiu ver os rostos dos sequestradores – obrigado a seguir viagem com a cabeça entre os joelhos. Só foi libertado cerca das 22h30, numa rotunda que dá acesso ao IP7, em Camarate.
Sozinho e aterrorizado, o administrador da CGD pediu ajuda a um condutor que lhe deu boleia até à esquadra da PSP da Pontinha, onde apresentou queixa.
"Estou bem, não houve violência. Pediram-me os códigos dos cartões e eu dei", afirmou o banqueiro, ontem de manhã, poucas horas depois do ataque violento. Sobre o valor do roubo, Norberto Rosa disse desconhecer. "Ainda não sei o valor levantado, mas devem ter feito o máximo permitido", acrescentou, escusando-se a dar mais pormenores.
Até à hora de fecho da edição, os assaltantes estavam a monte. Refira-se que o carro, que pertence à frota do banco público, foi encontrado pela PSP, pouco depois das 23h00, na avenida Egas Moniz, próximo do Hospital de Santa Maria, Lisboa. Estava estacionado, fechado, sem quaisquer danos. Durante horas, investigadores da PJ de Lisboa fizeram perícias ao veículo em busca de provas.
Durante os largos minutos em que Norberto Rosa esteve sequestrado, a mulher e a filha estavam em casa sem saber o que se estava a passar. Apesar do assalto ter começado junto a um centro comercial e ainda próximo de um café, não houve testemunhas – pelo menos a PSP não recebeu qualquer alerta.
Ao que o CM apurou, as autoridades suspeitam de que os assaltantes já tenham feito mais vítimas durante este ano. A actuação dos ladrões passa por esperar os condutores de carros de alta cilindrada e sequestrá-los. Só são libertados depois de revelarem os códigos dos cartões.
ASSALTANTES NÃO CONSEGUIAM LIGAR O CARRO
Além de todo o terror que o banqueiro viveu com a arma apontada, Norberto Rosa foi obrigado a ligar o carro para arrancarem. Isto porque o Mercedes S320 é moderno e o ladrão que ia ao volante não estava a conseguir seguir viagem. Norberto Rosa tinha deixado o motorista em casa minutos antes.
VÍTIMA É ADMINISTRADOR DO BPN
Norberto Rosa é também vice--presidente do BPN, o banco que foi resgatado pela Caixa Geral de Depósitos e cuja venda está a ser negociada com banqueiros angolanos do BIC. O administrador acumula, assim, as duas funções. Ontem, apesar do assalto, apresentou-se ao trabalho normalmente, apurou o CM.
AMIGO DIRIGIU-SE À ESQUADRA PARA DAR APOIO
O vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos contou com o apoio de um amigo na esquadra da PSP da Pontinha, apesar de ter pedido ajuda a um condutor quando foi abandonado numa rotunda de Camarate, em Loures. Mulher e filha aguardaram em casa pela sua chegada. Apesar do susto, não necessitou de receber assistência médica.
PERFIL
Norberto Rosa nasceu a 3 de Abril de 1955 e licenciou-se em Economia na Universidade Técnica de Lisboa, onde ficou a dar aulas. Em 1980, ingressou no Banco de Portugal e chegou a director adjunto do departamento de supervisão. Passou pelo Ministério das Finanças e, em 2003, foi secretário de Estado do Orçamento de Ferreira Leite. Em 2004, entrou na CGD, onde é vice-presidente.
FIGURAS PÚBLICAS ALVO DE CRIMES VIOLENTOS
Várias figuras públicas já foram alvo de crimes violentos como sequestros e roubos. A actriz Lídia Franco, o cantor José Cid e até mesmo o pai de dois conhecidos oficiais do Comando da PSP de Lisboa. No ano de 2000, Lídia Franco foi apanhada por aquele que ficou conhecido pelo gang da CREL – um grupo especialista no roubo de multibancos, recorrendo sempre a veículos obtidos por carjacking e sequestrando pessoas, sobretudo na CREL.
Em 2009, o pai de Jorge Resende da Silva, comandante da PSP de Loures, e Carlos Resende da Silva, comandante da Divisão de Investigação Criminal de Lisboa, foi sequestrado e agredido durante dez horas. O gang fez vários levantamentos em caixas multibanco.
Finalmente, já no ano passado, José Cid foi levado por dois homens com duas pistolas. O cantor teve de se deitar de bruços no banco traseiro. Foi ameaçado várias vezes que levava um tiro. Tudo aconteceu no Estoril, em Cascais. Foi levado até Almada e os ladrões conseguiram levantar 500 euros dos cartões.
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