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Correio da Manhã

Portugal
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BANQUETE NO CEMITÉRIO

O coveiro do cemitério de Alquerubim, em Albergaria-a-Velha, nem queria acreditar no que via quando na manhã de ontem abriu os portões e deu a volta do costume pelas sepulturas: uma toalha estendida no chão, mesa posta para três, velas a arder e um leitão a passear entre as campas. O animal foi preso pela GNR.
8 de Outubro de 2003 às 00:00
Mesa posta para três, com comida à farta, no pacato cemitério de Alquerubim
Mesa posta para três, com comida à farta, no pacato cemitério de Alquerubim FOTO: José Augusto
Já na presença do presidente da Junta de Freguesia e das autoridades policiais, vários populares deram uma espreitadela e muitos exclamaram “abrenúncio”.
“Olhe que até me benzi! Isto são coisas que não se fazem, porque vê-se logo que é para fazer maldade a alguém”, apontava Lucília Almeida, uma das que não resistiu a ver o que se passava no cemitério.
Para além da mesa posta, como se de um banquete se tratasse, andava um pequeno leitão a passear no meio das campas.
“Apanhámos o bicho, porque percebemos logo que estava relacionado com a bruxaria” – conta um dos elementos da GNR de Albergaria – “para já está no posto, até que venha o veterinário para decidir o que fazer com ele”.
Lucília Almeida, atenta à “detenção” do porco, afiança que “ninguém vai querer comer o animal. Está amaldiçoado”.
MP INVESTIGA
Apesar dos casos de bruxaria não serem virgens na região, com a descoberta de velas, flores e galinhas em cemitérios e encruzilhadas isoladas, este “bate todos os recordes no insólito”, tal como afirma o comandante do destacamento da GNR, Maximiano Alves. “Trata-se de situações muito difíceis de investigar, porque são feitas na calada da noite e sempre sem testemunhas”, refere.
Na lista do que foi encontrado no cemitério de Alquerubim, remetida para o Ministério Público, consta ainda várias costeletas de porco, piripiri, alho, farinha, pão, fósforos e duas garrafas de água cheias. Duas velas a arder (uma branca e outra preta), moedas de 5, 10 e 20 cêntimos, alguns cravos, e uma camisa de dormir de senhora completam o inventário do macabro achado.
Mais uma vez os populares afirmam-se chocados, porque “nunca aconteceu nada do género neste cemitério”, e apontam o dedo “a pessoas estranhas à terra, que não têm respeito pelos mortos”.
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