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Correio da Manhã

Portugal
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Barão da droga foge de cadeia no Brasil

Tentou fazer chegar a Portugal 1,6 toneladas de ‘coca’ escondida em carne congelada.
12 de Maio de 2010 às 00:30
José Palinhos foi condenado a 28 anos, mas aproveitou saída em regime semi-aberto para não voltar à prisão, onde dirigia o negócio por telemóvel
José Palinhos foi condenado a 28 anos, mas aproveitou saída em regime semi-aberto para não voltar à prisão, onde dirigia o negócio por telemóvel FOTO: direitos reservados

Passeava-se de Porsche blindado. Gozava férias num iate. Toda a sua família usava documentação falsa. O português José Palinhos, 59 anos, ostentava grandes sinais de riqueza, graças à cocaína que comprava aos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – e grande parte da droga era enviada para Portugal. Até ser preso em 2005, condenado a 28 anos de prisão, era um dos maiores barões de droga do Brasil – e assim continuou. Controlava o negócio a partir da cadeia, em Goiás, até com o telemóvel do próprio director, e antes do último Natal concederam-lhe regime semiaberto. Palinhos, da zona de Lisboa, fugiu.

Não voltou no dia seguinte para a prisão, onde tinha todas as mordomias, e deixou para trás aquele que era considerado o seu patrão na Europa, o também empresário português, António Dâmaso, condenado a 26 anos (ver caixa) por tráfico. Palinhos é, neste momento, um dos homens mais procurados do Brasil.

Era uma pessoa bastante influente no meio empresarial, até que, em 2002, começou a ser investigado no Brasil com António Dâmaso por tráfico internacional de droga e lavagem de dinheiro. Com outras cinco pessoas, foram detidos quando ultimavam a chegada a Portugal, por mar, de 1,6 toneladas de cocaína, escondidas no estômago de bovinos congelados.

Apesar da fuga ter ocorrido em Dezembro, só em Março a justiça brasileira teve conhecimento oficial do desaparecimento de José Palinhos, estando a ser investigado. 'A fuga dele é muito curiosa. Sabemos que não vai ser fácil recapturá-lo, pois é uma pessoa influente e com muito dinheiro', diz Márcio Nunes, chefe da equipa responsável pela prisão do português. O grupo utilizava uma empresa de importação de carnes para fazer a cocaína chegar a Portugal, enquanto a lavagem de dinheiro era feita com a compra de várias propriedades espalhadas pelo Brasil.

'DORMIA NU DENTRO DE POÇO'

José Palinhos era considerado o braço-direito de António Dâmaso, o empresário que geria o negócio a partir de Portugal mas que viajava frequentemente ao Brasil, onde tinha uma quinta com 3800 cabeças de gado. Dâmaso começou a ser investigado em 2000, pela PJ, por lavagem de dinheiro e tráfico de droga, dados passados às autoridades brasileiras. Foi detido em 2005.

No início de 2008, em exclusivo ao CM, relatou as condições desumanas em que vive na prisão. 'No último mês de Agosto [2007], tive um ataque cardíaco num poço onde estava com sete homens e só fui salvo da morte por um médico que também está preso', disse. O advogado António Pinto Pereira confirmava tal situação. 'Esteve 15 dias com sete homens num poço. Dormia nu e sem ar, por cima dos outros, no meio de excrementos'.

Dâmaso dizia-se inocente e fez um apelo para Portugal o ajudar.

PORMENORES

POLÍCIA ROUBA

A polícia apreendeu, na altura, 677 mil euros (500 mil estavam na bagageira do Porsche) aos empresários, dinheiro que acabou por ser roubado dentro da própria delegacia por sete agentes da Polícia Federal em que foram detidos.

60 MILHÕES

No momento em que foram feitas as detenções, em Outubro de 2005, a droga apreendida valia no mercado internacional cerca de 60 milhões de euros. Era comprada às FARC da Colômbia a 3000 euros o quilo e vendida na Europa nove vezes mais cara.

RESTAURANTES

Sandra Tolpiakov, ex-mulher de José Palinhos, também está presa. A psicóloga era gerente de alguns dos melhores restaurantes do Rio de Janeiro, que, segundo a polícia, eram financiados com o dinheiro do tráfico de droga.

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