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Correio da Manhã

Portugal
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BARCO DO ABORTO PROMETE AGITAÇÃO EM TERRA

É conhecido como barco do aborto e prepara-se para lançar âncora ao largo de Portugal já no próximo Domingo. Até 12 de Setembro, o navio holandês com uma clínica ginecológica a bordo, propriedade da Fundação Women on Waves – uma organização sem fins lucrativos, que tem como objectivo a protecção dos direitos humanos das mulheres – vai administrar a pílula abortiva no início da gravidez não desejada.
24 de Agosto de 2004 às 00:00
A convite de quatro associaçãos nacionais, a União de Mulheres Alternativa e Resposta (Umar), a Acção Jovem para a Paz, Não Te Prives e Clube Safo, o Aurora içou ontem as suas velas e partiu em direcção ao nosso país. “O essencial é relançar o debate sobre o aborto, colocá-lo nos seus termos reais e dar às mulheres o direito de poderem optar”, explica Maria José Magalhães, um dos elementos da direcção da Umar.
Depois da Irlanda e da Polónia, é agora a vez de Portugal receber a visita do navio holandês, justificada pelo facto de ser um dos países europeus com leis mais restritas sobre o tema e o único que leva a Tribunal mulheres e pessoal médico pelo crime de aborto. No entanto, não restam quaisquer dúvidas que o aborto existe entre os portugueses, realizado muitas vezes sem condições. “E o que deve ser feito é instituir regras, limites e, acima de tudo, fazê-lo com humanidade”, refere ao CM Maria José Magalhães.
Opinião diferente tem o Presidente da Federação Portuguesa pela Vida, José Paulo Carvalho, que considera o navio “uma ponta de lança dos ‘lobbies’ a favor do aborto” e não entende como é possível apoiar uma iniciativa “que incita à prática de actos que em face da lei portuguesa são considerados crime”. Para a Federação, a vida humana merece mais respeito. “Todos sabemos que uma grávida precisa de ajuda e que só abortará se não tiver outra solução. Nós trabalhamos para dar alternativas, porque consideramos que o aborto não é a solução.”
ABORTO EM PORTUGAL
FACTOS
De acordo com a Women on Waves, estima-se que são feitos em Portugal 20 a 40 mil abortos clandestinos por ano. O que significa que, por ser ilegal, sujeita a mulher portuguesa a um risco 150 vezes superior ao de uma holandesa.
NÚMEROS
Os números dão ainda conta que, a cada seis minutos, morre uma mulher algures no Mundo devido a um aborto clandestino feito em más condições. Entre nós, são atendidas nos hospitais, todos os anos, cerca de LEI
A lei holandesa aplica-se a bordo de um barco holandês, a partir do momento em que este entra em águas internacionais. Por isso, as duas ginecologistas têm permissão para dar a pílula abortiva às mulheres portuguesas.
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