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Correio da Manhã

Portugal
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BARRICADOS COM PAPEL HIGIÉNICO

Uma manifestação de cerca de 500 estudantes realizada ontem, na Faculdade de Ciência e Tecnologia (FCT) do Monte da Caparica, Almada, começou e acabou de forma insólita. Os estudantes barricaram o director no seu gabinete com cerca de três mil rolos de papel higiénico, como forma de protesto contra as propinas, mas acabaram por dispersar devido a uma ameaça de bomba, que se revelou falsa.
25 de Setembro de 2003 às 00:00
Os estudantes estão contra a propina máxima, de 852 euros
Os estudantes estão contra a propina máxima, de 852 euros FOTO: José Barradas
Os estudantes estão contra a propina máxima estipulada pela faculdade para o próximo ano lectivo, 852 euros, e usaram o valor da propina mínima, 464 euros, para comprar cerca de três mil rolos, que entregaram ao director.
Segundo o presidente do Conselho de Praxe da faculdade, Eduardo Silva, de 25 anos e estudante de Engenharia Electrotécnica, o director só recebeu 40 estudantes e depois fechou a porta do gabinete. "Foi por isso que deixámos o resto à porta dele", justifica o aluno da FCT. O Conselho Executivo ficou encurralado até à hora do almoço e até o carro do director ficou coberto de papel.
Por entre as habituais palavras de ordem, como "alunos unidos, jamais serão vencidos", os manifestantes exigiam a demissão do director. Vaiaram-no e acenaram com com rolos de papel.
Outra forma de bloquear o Conselho Executivo, como contou Hugo Almeida, de 20 anos e aluno de Informática, "foi através da saturação do sistema através de faxes, mails e telefonemas".
Para o presidente da Associção de Estudantes, João Pina, os alunos são pacíficos e querem dialogar com a administração da instituição de ensino. "Nós somos flexíveis, aceitamos o aumento de propinas", informou o líder estudantil. No entanto, João Pina considera a propina mínima suficiente para as necessidades da faculdade.
GNR À PROCURA DE BOMBA
O director da FCT, Armando Santos, discorda dos estudantes e justifica a fixação da propina máxima por se destinar a manter "o bom funcionamento da escola e a apetrechar melhor os laboratórios". O dirigente da FCT assegura que a faculdade precisa do dinheiro para colmatar a falta de subsídios do Estado. Armando Santos garantiu que vai dialogar com os estudantes, mas rejeita baixar o valor das propinas.
João Pina discorda dos argumentos do director, que considera "contraditórios". Os estudantes acham que grande parte do valor a pagar vai parar aos cofres do Estado e defendem a criação de uma comissão de alunos e professores para gerir as propinas.
A manifestação acabou por volta das 14 horas, devido a uma ameça de bomba, que se revelou falsa. Segundo o responsável pelas operações da GNR, Tenente Martinho, é habitual haverem ameças neste tipo de situação. Para o oficial da Guarda, a situação deve ter sido provocada "por uma brincadeira de um aluno".
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