Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

BAYER NEGA SUBORNOS

O julgamento que opõe o antigo delegado de propaganda médica Alfredo Pequito à farmacêutica Bayer Portugal foi retomado esta sexta-feira, quatro anos depois do seu início e mais de três anos depois de ter sido suspenso devido ao levantamento de um incidente de suspeição pelo queixoso, que levou à substituição do colectivo de juízes que preside ao processo, a decorrer no Tribunal de Trabalho de Lisboa.
17 de Outubro de 2003 às 15:57
Alfredo Pequito
Alfredo Pequito FOTO: d.r.
Pequito acusa a Bayer de crimes continuados de corrupção (contrapartidas dadas a médicos a troco de prescrição de medicamentos da Bayer) e exige em tribunal ser indemnizado em 65 mil euros por, alegadamente, ter rescindido sob coacção o contrato que o ligava à empresa. A rescisão aconteceu há seis anos, pelo que o valor de indemnização reflecte o valor acumulado de salários não recebidos desde então.
A acção foi iniciada a 13 de Outubro de 1999 e interrompida a 12 de Abril de 2000, quando a Defesa de Pequito, assegurada pelo advogado Garcia Pereira, levantou um incidente de suspeição contra os juízes. O colectivo de juízes foi substituído e o julgamento retomado, esta sexta-feira. A próxima sessão está já marcada para 7 de Novembro.
O presidente da Bayer Portugal, Francisco Belil Creixell, representou a empresa e foi a primeira testemunha a ser ouvida. Após ser questionado sobre o valor do salário auferido por Pequito (dado importante para o cálculo da eventual indemnização a atribuir ao queixoso), Creixell explicou que Pequito foi despedido por a empresa ter perdido a confiança no funcionário, ao descobrir que este não havia realizado “visitas profissionais” que tinha dito ter feito.
Francisco Belil Creixell teve o cuidado de ressalvar que as informações que estava a dar em tribunal eram aquelas que lhe tinham sido transmitidas pelos serviços da Bayer Portugal, uma vez que só assumiu a presidência em 1998, depois de Pequito ter saído da empresa.
O presidente da Bayer Portugal explicou ainda ser natural que a empresa tenha uma agência de viagens própria, devido ao facto de ter 130 mil funcionários em todo o Mundo, e desmentiu categoricamente que a empresa tenha alguma vez subornado médicos. Estas declarações provocaram a indignação de Garcia Pereira, que contrapôs documentos alegadamente comprovativos de subornos e ameaçou processar judicialmente o administrador.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)