Uma bebé de sete meses morreu ontem de manhã, carbonizada, na sequência um incêndio que devastou uma casa em Oliveira do Douro, Gaia. Na habitação estavam cinco crianças sozinhas, com idades entre os sete meses e os cinco anos.
Ao que tudo indica, o fogo terá tido origem num aquecedor eléctrico com duas resistências, tendo as chamas alastrado rapidamente, chegando a atingir uma casa contígua. Eram 09h45, quando os vizinhos se aperceberam do fumo que saía do 1.º andar do n.º 220 da rua da Herdade, e deram o alerta aos bombeiros.
“Quando entrei, ainda não havia fogo, só fumo. Arrombei a porta com um machado e ainda salvei uma das crianças que estavam no corredor”, disse ao CM o vizinho António Ribeiro, que acorreu ao sinistro após ter sido alertado pela esposa.
O incêndio começou no quarto da bebé que faleceu, e as restantes crianças salvaram-se porque fugiram para uma outra divisão, onde foram encontradas por Valter Guerreiro, agente da PSP, e pelo vizinho António, o primeiro a entrar. O polícia, à civil, entrou na habitação envolvido numa toalha molhada e acabou por descobrir por entre o fumo as crianças inanimadas.
António Ribeiro manifestou-se crítico para com a actuação dos Bombeiros de Avintes e Sapadores de Gaia. “Eu e o sr. polícia, que é vizinho da casa, ainda conseguimos salvar quatro meninos, mas se os bombeiros têm chegado mais cedo talvez a bebé não tivesse morrido”, desabafou. Os Sapadores de Gaia desmentem esta afirmação. “O alarme foi dado às 08h45 e às 08h49 estavamos a chegar ao local”, afirmou fonte dos sapadores.
A população de Oliveira do Douro estava indignada com a negligência dos pais que deixaram os petizes sozinhos. “Como é possível deixar cinco crianças com menos de cinco anos sozinhas em casa?”, perguntavam-se os vizinhos.
Tratam-se de famílias muito carenciadas que, segundo os populares, dão pouca atenção aos filhos. Os viznhos, de resto, ofereciam roupas às crianças.
POPULARES CRITICAM OS FAMILIARES
O fogo apanhou de surpresa cinco crianças, mas nem todas eram irmãos. Estavam três crianças que viviam na casa ardida, juntamente com outras duas, filhas de uma vizinha.
À hora do incêndio a mãe das três crianças estava nas instalações da Segurança Social, para tratar do abono de família do filho mais novo do casal. Deixou os filhos a cargo do pai, aos quais se juntaram as duas crianças de uma vizinha do casal.
Segundo os populares o pai das três crianças e a vizinha deixaram os menores sozinhos e foram para outra casa. “Foi ter com a amante. É uma vergonha, a mulher saiu para tratar do comer dos filhos e ele deixa as criancinhas sozinhas, e mete-se na casa da outra. São crianças com menos de cinco anos, é incrível!”, exclamou exaltada uma vizinha.
Segundo relatos dos vizinhos, pouco depois do início do incêndio, a vizinha terá acorrido ao local ainda com o cabelo desgrenhado e passado pouco tempo apareceu o pai dos três meninos. Os dois foram levados pela PSP, para interrogatórios.
HERÓIS E SOBREVIVENTES
HEROÍSMO
António Ribeiro e Valter Guerreiro foram autênticos heróis. Graças a estes dois vizinhos as quatro crianças salvaram-se. “Alguém tinha de tomara a iniciativa. Tenho pena das crianças”.
RECUPERAÇÃO
As quatro crianças sobreviventes foram levadas para o Hospital de Gaia, inanimadas e com problemas respiratórios. Os problemas de saúde não eram graves e à tarde tiveram alta.
DEMOLIÇÃO
Jorge Queirós, vice-presidente da Câmara de Gaia, declinou qualquer responsabilidade da autarquia no incêndio. As casas estão devolutas e vão ser brevemente demolidas.
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