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Correio da Manhã

Portugal
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Bebé de 20 meses morre engasgada com cereja

Uma bebé de 20 meses morreu ontem, depois de quatro dias em coma no Hospital de S. João, no Porto. Horas depois, os pais decidiram doar órgãos da menina para salvar a vida de outra criança. O transplante foi realizado em Coimbra.
2 de Junho de 2006 às 00:50
No Lugar da Aldeia, em Gême, reina a consternação por causa da tragédia da família Fernandes
No Lugar da Aldeia, em Gême, reina a consternação por causa da tragédia da família Fernandes FOTO: Sérgio Freitas
A pequena Bárbara, que residia com os pais em Gême, Vila Verde, ficou com a traqueia bloqueada ao engolir uma cereja, e não resistiu às lesões provocadas por três paragens respiratórias.
A tragédia da família Fernandes começou na noite de domingo, por volta das 22h00, quando a bebé pegou numa cereja e a meteu à boca. Ao verem a menina incapaz de respirar, os pais pediram logo ajuda a um tio da bebé, António Silva – adjunto do comando dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde – que lhe prestou os primeiros socorros.
Como não foi possível retirar a cereja com palmadas nas costas e no peito – para forçar a respiração a expeli-la –, os familiares transportaram a bebé para o Hospital de Vila Verde, de onde foi encaminhada com urgência para o Hospital Central de S. Marcos, em Braga.
Entretanto, a pequena Bárbara sofreu três paragens respiratórias, entrando em coma, ainda antes de ser internada nos cuidados intensivos da unidade de pediatria do Hospital de S. João, no Porto. Ao que foi possível apurar, a bebé terá reagido ao contacto dos pais no início de segunda-feira e terá registado mesmo ligeiras melhoras. Familiares da criança adiantaram mesmo que “a reacção da bebé, apesar de continuar com respiração assistida, era um bom indicador para a sua recuperação, como até disseram os médicos aos pais”. No entanto, a falta de oxigenação do cérebro, ter-lhe-á provocado lesões cerebrais.
O estado da bebé agravou-se nos dias seguintes, tendo entrado em coma profundo, de que não recuperou.
FAMILIARES E VIZINHOS CHOCADOS
A morte da pequena Bárbara Fernandes deixou a família e a comunidade Gême em estado de choque.
A mãe da bebé teve mesmo de ficar internada no Hospital de S. João, no Porto, depois de receber a notícia da tragédia. “Não há coração que resista perante tamanho infortúnio”, desabafou uma vizinha do casal Manuel e Natália Fernandes, dando conta da forte ligação de toda a família à bebé, nomeadamente os avós, que ontem não conseguiam conter a dor. “Era uma criança muito querida de todos. Era a menina dos olhos de todos eles e, ainda por cima, filha única”, lamentou Lurdes Silva. Os moradores do Lugar da Aldeia desabafam que “não dá para compreender uma tragédia destas”.
Lembrando que “tanto os pais como os avós e os tios eram muito cuidadosos e carinhosos para com a bebé”, outra vizinha - que não quis identificar-se, desviando-se com repetidos desabafos de dor - disse: “É preciso muito azar! Como é que a criancinha foi pegar logo numa cereja...”
ATRACTIVOS E PERIGOSOS
Botões, tampas, rolhas de garrafas, chaves, agulhas e todo o tipo de brinquedos pequenos, como berlindes, entre outros, têm tanto de atractivo como de perigoso para as crianças. Este é um alerta constante em todas as publicações e ‘sites’ sobre infância e saúde, que chamam a atenção para o perigo de a criança - principalmente até aos três anos, idade em que leva tudo à boca - engasgar-se ou sufocar. Quase todos estes objectos são atractivos, desde logo, pela cor.
Há outro menos chamativo, mas não menos perigoso: o saco de plástico, capaz de sufocar. Apesar de não serem brinquedos, todos estes utensílios são tratados como tal nas mãos de uma criança. E podem matar.
OUTROS CASOS
PEÇA DE COMPUTADOR
Luís Filipe Gonçalves Correia, de 15 anos, morreu asfixiado, em Junho de 2003, na Figueira da Foz, depois de ter engolido inadvertidamente a tampa de um acessório de ligação ao computador, conhecido por ‘Jetflash’, que serve para armazenar dados. O jovem, filho único, fanático por computadores e informática, foi imediatamente socorrido pelos familiares, que tentaram retirar-lhe a peça da garganta, e assistido pelo INEM no local, mas acabou por morrer a caminho do hospital.
COMIDA DE GATO
Um menino de três anos morreu asfixiado, em Julho de 2004, em Águeda, alegadamente após ter ingerido comida granulada para gato. Hugo Correia foi conduzido ao hospital depois de a mãe o ter encontrado caído no chão do pátio de casa e, segundo o pediatra que o assistiu, apresentava sinais de ter morrido por asfixia. Na altura, o próprio pai do menino disse ao médico que Hugo tinha por hábito comer os biscoitos do gato, admitindo que o tivesse feito nessa manhã e que isso pudesse estar na origem da morte. O pediatra explicou, porém, que se Hugo Correia tivesse sobrevivido, ficaria com sérias lesões cerebrais devido à falta de ventilação.
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