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Correio da Manhã

Portugal
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BEBÉ ESTÁ EM PERIGO DE VIDA

A pequena Margarida foi operada anteontem à noite, no Hospital de S. João, no Porto, poucas horas depois de ter sofrido graves queimaduras, no dorso, cabeça, braços e mãos, na sequência do incêndio, numa habitação em Ferreiros, Póvoa de Lanhoso. O sinistro vitimou mortalmente a avó, Maria da Conceição Almeida, e destruiu por completo o quarto onde se encontravam, como habitualmente, a ver televisão.
23 de Outubro de 2004 às 00:00
Ao que o Correio da Manhã apurou, junto de fonte hospitalar, a menina tem queimaduras ”bastante graves e está, por isso, internada na unidade de cuidados intensivos”.
“Nesta altura todos os cenários são possíveis, já que a menina tem queimaduras graves e extensas, ocupando 20 a 25 por cento do corpo, sobretudo na cabeça, dorso, braços e mãos”, disse a mesma fonte, admitindo que, devido à extensão das lesões, “a bebé corre, de facto, risco de vida”.
E a menina só não ficou totalmente carbonizada, como a avó, porque a irmã, de oito anos, que se encontrava a brincar na casa de uma vizinha, mal ouviu gritar ‘fogo’, irrompeu pelo quarto dentro, pegou na bebé ao colo e trouxe-a para a rua.
“O fumo era muito e eu fui direita ao berço onde costumava estar a minha irmãzinha. Peguei nela e corri cá para fora”, disse a heróica Cláudia Gonçalves.
"ELA TEVE MUITA CORAGEM"
A pequena Cláudia, de apenas oito anos de idade, é, para os familiares, vizinhos e amigos, “uma autêntica heroína”. No meio da tragédia, a menina teve suficiente sangue frio para entrar num quarto em chamas e pegar ao colo na irmã de 23 meses, que já tinha a roupinha a arder, e trazê-la para o exterior da habitação.
Os próprios bombeiros da Póvoa de Lanhoso que combateram o sinistro, manifestaram-se impressionados com a coragem da menina. “Ela teve uma grande coragem. Já vi muita gente adulta a tremer de medo numa situação dessas”, disse ao Correio da Manhã um soldado da paz.
Uma das vizinhas, Constança Oliveira, disse-nos que ficou “muito comovida e impressionada” com o que viu. “Até me vieram as lágrimas aos olhos quando vi a Cláudia a correr com a irmãzinha ao colo, ainda a deitar fumo”, explicou.
De resto, ontem, no lugar de Boucinhas, em Ferreiros, Póvoa de Lanhoso, o feito da menina era o facto mais comentado, como “uma coisa positiva no meio da tragédia”. Agora todos rezam “para que Deus salve a Margarida”.
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