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Correio da Manhã

Portugal
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Bebé fica fora de casa

O bebé do Barreiro que com apenas seis meses foi retirado aos pais por denúncia de maus tratos, em Janeiro, vai continuar à guarda do Centro de Acolhimento da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.
27 de Setembro de 2005 às 00:00
Rosáli Abreu e Antónios Biscais, os pais do bebé, não se conformam com a decisão
Rosáli Abreu e Antónios Biscais, os pais do bebé, não se conformam com a decisão FOTO: Manuel Moreira
Os pais do pequeno Marco António ficaram ontem a saber que ainda não é desta que poderão levar o seu filho para casa. “Queria levá-lo hoje, mas tudo o que me dão são quarenta minutos semanais para o ver o que é pouco”, desabafava à saída, emocionado, António Biscaia, o pai. A mãe Rosália Abreu era o rosto da desilusão: “Tenho saudades do meu filho. O que estão a fazer-me é injusto”.
Apesar do tribunal ter reconhecido o afecto que os progenitores nutrem por Marco António, o juiz que presidiu ao caso entendeu que a vertente afectiva não era suficiente e deu como provadas a falta de condições de higiene e segurança para permitir o regresso do bebé a casa.
Marco António, actualmente com 14 meses, ficará assim por mais seis meses na instituição onde se encontrava, em regime de acolhimento de curta-duração, medida que será revista no prazo de três meses. Durante este período, uma técnica da Equipe Multidisciplinar de Assessoria aos Tribunais (EMAT) fará visitas periódicas a casa dos pais da criança e elaborará relatórios sobre a situação habitacional, os progressos alcançados e a aquisição de competências parentais.
A decisão do tribunal foi recebida com tristeza pelos pais, mas acaba por ser um mal menor face ao que se chegou a esperar: a entrega da criança para adopção. “Esta é a medida menos injusta”, comentou ao CM o advogado dos pais Victor Orvalho para quem houve, ainda assim, factos que não ficaram provados como a existência de cães sem vacinas ou de pulgas. “Ninguém recolheu essas provas”, disse.
Para já, pais e filho vão passar a ver-se menos que o desejado, mas quem sabe tudo não será meramente temporário. “Eles fizeram uma grande evolução nestes últimos tempos, mas faltam reunir algumas condições de higiene”, comentou ao CM Ana Paula Rodrigues, a técnica da EMAT que agora vai acompanhar o casal. “Acho que eles têm, contudo, capacidade para inverter as coisas”, disse.
Marco António será agora visitado duas vezes por semana pelos pais, durante 20 minutos. “António Biscaia diz que “nem dá tempo para abraçar e beijar” o filho, mas sabe, conforme ouviu em tribunal, que esta é “a última oportunidade”. Anabela Saramago, directora do Centro de Acolhimento, garantiu que a criança continuará a receber toda a atenção e rejeitou as acusações feitas em tribunal por António Biscaia, que o bebé teria sido ali mal tratado.
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