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Correio da Manhã

Portugal
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BEBÉ MORRE SOZINHO

Um bebé de 35 meses morreu ontem, alegadamente intoxicado, por ter inalado fumos provenientes de um incêndio deflagrado no seu quarto quando se encontrava sozinho em casa, no rés-do-chão do n.º 18 da Rua Cidade Manchester, em Lisboa.
31 de Janeiro de 2003 às 00:00
O bebé, Ivan Ribeiro Seloures Alves, que em Fevereiro completava três anos, encontrava-se no quarto quando o incêndio deflagrou, mas, embora sem apoio de ninguém, conseguiu fugir para a sala-de-estar para se refugiar das chamas.

Foi atrás de um sofá da sala que os bombeiros encontraram o Ivan com queimaduras na perna direita e ainda com vida. Contudo, o bebé acabou por morrer quando era transportado pelos Sapadores Bombeiros para o Hospital de D. Estefânia.

O Correio da Manhã apurou que o fogo terá tido origem num guarda--fatos. “A criança terá atirado para dentro do guarda-vestidos um isqueiro acesso que causou o incêndio”, referiu uma fonte da Polícia Judiciária, que está a investigar o caso.

A mãe do Ivan, Anabela Santos Ribeiro Seabra, de 37 anos, taxista, estava a trabalhar quando aconteceu o trágico acidente. O pai, João Paulo Seloures Alves, encontrava-se também ausente. Os vizinhos disseram que “o bebé costumava ficar muitas vezes sozinho em casa porque a mãe trabalha, mas o pai parece que está desempregado”.

A avó do Ivan, que mora no 1.º andar do mesmo prédio, “não tem acesso à criança porque não se entende com o seu filho Paulo”.

Para a PJ, trata-se de uma situação de “incúria por parte dos pais”. O CM tentou contactá-los ontem, em casa e no hospital, mas tal não se mostrou possível.

CARROS TRAVAM BOMBEIROS

As equipas do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa que se deslocaram à Rua Cidade Manchester para acudir ao incêndio, que acabou por causar a morte de Ivan Alves, tiveram sérias dificuldades para chegar.

A Rua Ilha do Príncipe, que dá acesso à Rua Cidade Manchester, estava com muitos veículos mal estacionados, impedindo a circulação normal dos carros dos bombeiros. Foi necessário levantar duas viaturas da via para que os veículos dos bombeiros conseguissem passar.

Os moradores queixam-se de que aquela zona, conhecida por Bairro das Ex-Colónias, é uma anarquia no estacionamento de carros. Fonte do Regimento Sapadores Bombeiros de Lisboa disse que esta é uma situação grave que se regista na maior parte das ruas da capital. Cinco viaturas e 20 elementos dos bombeiros estiveram no local.
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