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Correio da Manhã

Portugal
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Bebé queimada à lareira

Uma bebé de seis meses sofreu queimaduras graves em 90 por cento do corpo quando um pedaço de lenha incandescente saltou da lareira e incendiou a manta que a envolvia. O acidente aconteceu segunda-feira, em Costeira, concelho de Vouzela, na altura que a avó materna da menina se ausentou por momentos. A bebé está internada na Unidade de Queimados do Hospital D. Estefânia, em Lisboa, em estado considerado “grave, mas estável”, e não corre perigo de vida.
13 de Dezembro de 2006 às 00:00
Como era habitual, a pequena Rita Rodrigues Simões ficou entregue aos cuidados da avó materna enquanto os pais foram trabalhar. Para combater o frio intenso, a avó acendeu a lareira e colocou próximo a neta sentada no carrinho de bebé e envolta numa manta de algodão.
Pouco depois, ao final da manhã de segunda-feira, Maria do Céu, de 57 anos, levantou-se do banco onde se sentara para tomar conta da menina e foi lavar talheres no lava-loiça da cozinha, a um metro do carrinho onde estava a neta.
A determinada altura, sem que Maria do Céu se apercebesse, um pedaço de lenha em brasa saltou para a manta que agasalhava a bebé e começou a arder. A menina berrou e foi socorrida de imediato pela avó, que apagou o fogo com as mãos e a retirou da roupa em chamas. Mesmo assim, não conseguiu evitar ferimentos graves na maior parte do corpo da neta.
A bebé foi transportada por uma tia ao Centro de Saúde de Vouzela, onde foi recolhida pelo helicóptero do INEM num heliporto improvisado no quartel dos bombeiros e transferida para a Unidade de Queimados do Hospital D. Estefânia, em Lisboa. Segundo Joaquim Gaspar, comandante dos Bombeiros Voluntários de Vouzela, a menina “apresentava queimaduras graves, principalmente na zona do abdómen e nos membros inferiores”, mas “esteve sempre consciente”.
Os pais da bebé – Amélia Rodrigues, de 30 anos, empregada fabril, e Carlos Simões, de 32, trabalhador da construção civil – foram com ela no helicóptero. A mãe, que tinha recomeçado a trabalhar há poucos dias, após a licença de maternidade, vai ficar a acompanhar a filha durante o internamento. O pai disse que a bebé foi sujeita, ontem de madrugada, a uma intervenção cirúrgica e, em princípio, “vai recuperar bem” das queimaduras sofridas.
“Deus queira que tudo não tenha passado de um grande susto, de um infeliz acidente. Os médicos dizem que ela está a reagir bem aos tratamentos”, acrescentou Carlos Simões, destacando “que a recuperação vai ser longa, porque se trata de uma bebé com apenas meia dúzia de meses”.
A sofrer à distância, em Vouzela, está a avó, Maria do Céu, que também foi assistida no Centro de Saúde devido às queimaduras sofridas nas mãos quando apagou o fogo que ameaçava a vida da neta. Segundo um familiar, a avó “está em estado de choque e não fica sossegada enquanto não voltar a ter a neta em sua casa”.
Na altura do acidente, segundo os vizinhos, a avó saiu para a rua com a neta ao colo, a gritar por socorro. “Viveram-se momentos de pânico, mas rapidamente uma mulher a meteu dentro do carro e a levou até ao Centro de Saúde”, conta o vizinho David Martins, salientando que os pais da criança “são muito atenciosos com ela”, mas “têm necessidade de trabalhar como toda a gente e, por isso, deixam a menina com a avó”.
CUIDADOS COM O FOGO
Onde há uma lareira, salamandra ou braseira, é necessário ter alguns cuidados para evitar os acidentes. Os produtos de combustão, em especial o monóxido de carbono, devem ser bem eliminados e as fontes do fogo não podem ser deixadas sozinhas. As entradas de ar têm de estar desobstruídas. Materiais ou mobílias que possam pegar fogo não são aconselhadas próximo dos aquecimentos e, para evitar queimaduras por contacto, de crianças e animais domésticos, devem colocar-se barreiras. As crianças, os idosos e pessoas doentes não devem ficar sozinhas, para que possam ser socorridas de imediato se acontecer algum acidente. O Inverno é a altura do ano em que há mais vítimas em resultado da inalação de monóxido de carbono e de queimaduras provocadas por lareiras e braseiras, que muitas vezes causam a destruição completa de casas.
COMO REAGIR
TEMPERATURA
Actuar com serenidade sobre o fogo e o calor – diminuindo a temperatura no local queimado e impedindo que alastre – e sobre o risco de intoxicação, assegurando uma boa ventilação ao acidentado.
VESTUÁRIO
O vestuário deve ser retirado logo que possível, mas tendo em atenção que o que ficou preso à pele só deverá ser tirado por um médico, o mesmo sucedendo com as ‘bolhas’.
ÁGUA FRIA
Aplicar água fria é a melhor maneira de diminuir a temperatura local e impedir que continue a acção do calor na pele e nos tecidos corporais.
OITO MORTOS EM 2005
Em 2005 morreram, pelo menos, oito menores em incêndios em habitações. Na maior tragédia, em Novembro, no Bairro do Fim--do-Mundo (Cascais), morreram carbonizados mãe e cinco filhos.
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