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Correio da Manhã

Portugal
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Bebé sozinha em casa e com fome

Deixei-a em casa com o meio irmão de 16 anos enquanto fui ao hospital ver o meu marido. Mas ele lembrou-se de ir tocar bombo e deixou-a sozinha.” É desta forma que Graça Lima, de 43 anos, explica o facto de a sua filha, Luana Inês, que hoje completa o primeiro aniversário, ter ficado sozinha em casa no passado sábado durante várias horas.
12 de Fevereiro de 2008 às 12:00
A criança foi retirada da residência dos pais, em Darque, Viana do Castelo, pela PSP que teve de entrar pela marquise da varanda. Foram os vizinhos que deram o alerta. “A criança chorava tanto que tivemos de chamar a polícia. Ouvia-se no bairro todo”, disse uma das vizinhas ao CM.
A mãe não vê a filha desde sábado, altura em que a criança foi entregue a uma instituição da cidade. “Disseram no tribunal que estão à espera de um fax, mas não a posso ver nem amanhã [hoje] que faz anos”, contou a progenitora ao CM.
Segundo a PSP, a criança estava seminua a arrastar-se pelo chão e aparentava ter frio e fome. A mãe só terá chegado a casa por volta das 18h15 – quase três horas depois da criança ter sido levada pelos agentes.
“Ele nunca fez uma coisa destas, até lhe costuma dar o leitinho. Agora não fala disto, só chora quando lhe pergunto”, explicou a progenitora que tem quatro filhos, dois dos quais menores. “Dizem que estão a tratar bem dela. Espero bem que sim. Mas eu já pus um advogado a tratar disto”, informou encolhendo os ombros.
Na rua da Igreja, onde a família reside há seis meses, a vizinhança admite que é gente problemática. “Ouvem-se muitas discussões. Foi um favor terem levado a menina. Dava pena olhar para ela a sair nos braços do polícia. Aqueles olhinhos mostravam o alívio da bebé. Parecia que estava a pensar “ainda bem que me salvaram”. É que ela estava lá dentro fechada com um cão pequeno”, contou outro vizinho do casal visivelmente revoltado com toda a situação.
Graça Lima, que está desempregada, não sabe ainda como vai recuperar a pequena Luana Inês e admitiu ao CM que o marido recebeu muito mal a notícia da retirada da menor: “Ele foi para o hospital sexta-feira. Deu-lhe o quinto enfarte. Mas tive de lhe contar. Para ele é como uma morte porque é a única filha que ele tem. Eu nem tenho vontade de comer”, rematou.
NÃO É CASO ISOLADO
Os vizinhos garantem que o abandono do passado sábado não foi um caso isolado. Aliás, admitem que a criança já foi retirada da mãe, mas terá sido entretanto entregue, de novo, à progenitora. Certo é que segundo a PSP, o caso da pequena Luana Inês está referenciado “há algum tempo” pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Viana (CPCJV), cuja reacção foi impossível obter. A criança foi entregue aos cuidados de uma instituição da cidade cujo nome não foi revelado à mãe. O caso foi comunicado ao Centro Distrital de Segurança Social e ao Tribunal. A PSP instaurou um inquérito tendo por base maus tratos à menor.
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