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Correio da Manhã

Portugal
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Bebés perdem direito a consulta de neonatologia

O Hospital da Guarda foi obrigado a encerrar as consultas de neonatologia abertas a todos os bebés nascidos na sua maternidade, por falta de recursos humanos. Este serviço diferenciava a unidade de saúde das outras a nível nacional, porque regra geral apenas são assistidos os recém-nascidos que apresentam patologias.
7 de Setembro de 2007 às 00:00
Falta de pediatras levou o Hospital Sousa Martins a acabar com um serviço raro em Portugal
Falta de pediatras levou o Hospital Sousa Martins a acabar com um serviço raro em Portugal FOTO: José Paiva
A valência existia há dois anos, quando o médico pediatra António Mendes – acabado de chegar da Madeira – quis oferecer um cuidado mais acompanhado às crianças nascidas no Hospital Sousa Martins (HSM). A consulta de neonatologia era garantida a todos os recém-nascidos, porque “nos primeiros dois a três meses de vida é importante fazer uma avaliação clínica para prevenir problemas futuros que podem, muitas vezes, surgir com a saída da criança do hospital para o meio familiar”, explica o pediatra.
António Mendes lamenta o fim do serviço nos moldes em que funcionava: “Quando se faz alguma coisa por amor, fica-se sempre triste, e tudo o que encerra é sempre um prejuízo para a população.”
As últimas crianças inscritas na consulta de neonatologia nasceram em Julho e a partir de Outubro o serviço passa apenas a ser garantido aos bebés com patologia clínica observada.
A unidade hospitalar da Guarda tem seis pediatras, mas só metade destes estão disponíveis: um pediu a reforma, outro encontra-se com horário reduzido – por estar a fazer formação em Coimbra –, e um terceiro pediu dispensa do serviço por razões familiares.
Perante este cenário, o director clínico do HSM, Luís Ferreira, explica a alteração introduzida no serviço: “Víamos todas as crianças porque havia disponibilidade, mas passando a ter menos gente era preciso cortar em algum lado.” E o corte atingiu as consultas de neonatologia, que agora funcionam “como na generalidade dos hospitais portugueses”.
Luís Ferreira garante, no entanto, que “havendo recursos humanos, a consulta de neonatologia, prestada a todos os recém-nascidos, pode ser retomada”.
Ainda este mês vai abrir uma vaga de carenciados para o Serviço de Pediatria e o objectivo do Hospital da Guarda é contar também, em breve, com uma vaga para o quadro, fazendo face à saída de um dos clínicos, que se vai reformar em breve.
NOVAS VAGAS
FALTA DE FORMAÇÃO
Para Luís Ferreira a solução do problema da falta de pediatras “seria mais fácil com o hospital a fazer formação”. O director clínico do HSM espera em breve disponibilizar seis vagas para internos. Depois da formação em Medicina na Universidade da Beira Interior, aguarda que a vertente formativa de Pediatria, com a qual o HSM já contou, volte a ser procurada.
MATERNIDADE
Portugal enfrenta um saldo negativo dos nascimentos necessários para garantir a renovação de gerações. Como o CM noticiou ontem, é necessário que nasçam mais 165 bebés por dia para inverter a tendência. Em 2006, registaram-se 288 nascimentos diários. Portugal tem uma das mais baixas taxas de natalidade da Europa.
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