Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
8

BEETHOVEN DESPERTA MAIS IDEIAS DE SUICÍDIO

A música de Beethoven desperta mais tendências suicidas nos jovens, do que sons mais violentos como o metal ou o punk, revela um estudo inédito em Portugal que relaciona as preferências musicais com as ideias suicidas. O trabalho é da autoria de Cláudia Borralho, licenciada em Psicologia Clínica, que estudou "o significado e influência da música" e averiguou o gosto musical dos adolescentes, para relacionar essas variáveis com a "ideação suicida".
1 de Setembro de 2003 às 00:00
 A correlação entre Beethoven e o suicídio verifica-se nos rapazes. As raparigas 'ligam-se' a Manson
A correlação entre Beethoven e o suicídio verifica-se nos rapazes. As raparigas 'ligam-se' a Manson FOTO: d.r.
Tendo por base um inquérito exaustivo feito a 234 estudantes de várias escolas secundárias de Lisboa, dos 15 aos 21 anos, a investigação demonstrou que, de facto, existe uma relação entre o significado e a influência da música, tal como de alguns músicos, com ideias suicidas.
Mas a autora chegou a resultados que a própria considera surpreendentes nesta matéria: de todos os grupos musicais que integraram o estudo - escolhidos de entre os preferidos dos inquiridos -, o compositor Beethoven foi o que se encontrou mais fortemente relacionado com o suicídio. Porém, tal correlação verifica-se só no sexo masculino e na faixa etária dos 17 aos 21 anos. Não nos mais novos, nem nas raparigas.
"Quanto maior for a preferência por Beethoven, maior será a tendência para os rapazes pensarem em suicídio aquando da audição da música, para pensar que seria melhor não estarem vivos e na morte", refere-se.
No entanto, de uma maneira geral, os resultados do estudo apontam para que a relação entre a influência da música e de alguns músicos com as ideias suicidas seja mais evidente no sexo feminino. Assim é com a banda Marilyn Manson, para a qual foi estabelecida uma forte correlação com o suicídio apenas nas raparigas. Outras bandas apontadas como tendentes a despertar ideias suicidas são Korn, Creed, Limp Bizkit e Incubus.
RAPARIGAS PENSAM, RAPAZES FAZEM-NO
Cerca de metade das raparigas de Lisboa já desejou estar morta, e perto de quatro em cada dez pensaram mesmo em suicidar-se, revela um estudo do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). Com base num questionário feito a 234 estudantes do ensino secundário da cidade de Lisboa, de ambos os sexos e com idades entre os 15 e os 21 anos, a investigação revela que 48,2 por cento das inquiridas já desejaram estar mortas, enquanto 35,6 por cento pensaram em suicidar-se.
Quanto aos rapazes que pensaram em pôr termo à vida, foram 19,1 por cento, embora já tenham desejado estar mortos 25,3 por cento. O trabalho, da autoria de Cláudia Borralho, revela que existe uma diferença significativa entre rapazes e raparigas no que diz respeito a ideias suicidas.
O sexo feminino pensa mais na morte e em suicidar-se, embora os rapazes sejam mais efectivos, ou seja, elas "lançam mais apelos", eles chegam mais à prática.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o suicídio vêm ao encontro destas conclusões. Em 2001 mataram-se 11 rapazes e quatro raparigas na faixa etária dos 15 aos 19 anos.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)