Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal

BENEMÉRITO ABUSADOR

Um antigo presidente dos Bombeiros Voluntários da Amadora foi condenado a três anos de pena suspensa por ter abusado sexualmente do filho durante sete anos: entre os 4 e 11 anos. Foi ainda condenado a pagar uma indemnização de 74 mil euros por danos morais. A sentença é do Tribunal de Sintra e foi proferida a 19 de Novembro de 2002.
2 de Abril de 2003 às 00:00
Confrontado pelo CM com os factos que ficaram provados, A.G., nega tudo, tal como fez em tribunal: “É tudo mentira, são calúnias”.
Embora reconhecesse a gravidade dos actos, o Tribunal de Sintra justificou a sentença com aquilo a que chamou de “circunstâncias atenuantes gerais”, nomeadamente a idade avançada do arguido (79 anos) e o facto de ser benemérito dos bombeiros.
Revoltada, Branca Cecília, 57 anos, a mãe de P., que hoje tem 18 anos, diz de sua justiça: “Se tivesse sido dias depois, se calhar a pena era outra”. Os dias depois têm uma justificação: Carlos Silvino, ‘Bibi’, foi detido a 25 de Novembro, e desde então este tipo de casos ganhou outra visibilidade.
Branca Cecília, que viveu durante 14 anos com A.G, nunca suspeitou de nada. Só soube anos depois, por intermédio de outra filha, a quem P. contou tudo.
O drama vivido e silenciado por P. está bem patente num exercício que fez na escola, em Janeiro de 1997, quando frequentava o 6.º ano. Quando a professora lhe pediu que escrevesse o que seria se fosse uma jóia, P. escolheu um garfo. “Porque foi com ele que eu piquei o meu pai”, justificou.
“Ele nunca me disse nada porque o pai ameaçava que me batia”, relata a mãe, que se queixa de ter sido sovada várias vezes. Hoje, é com amargura que recorda um desabafo do filho: “Ó mãe, eu nunca te disse nada porque ele batia-te e depois tu fazias as pazes”.
Acamado, devido a doença, A.G. tem dificuldade em expressar-se. É a sua actual mulher, Maria de Lurdes, 54 anos, a tomar a sua defesa: “Ele foi vítima de uma grande maldade. O miúdo foi manipulado para dizer aquilo. A mãe queria dinheiro. O meu marido é uma jóia de pessoa, respeitada por toda a gente”.
Quanto aos maus tratos de que Branca Cecília se queixa, Maria de Lurdes diz: “Estou casada há sete anos e não tenho a mínima razão de queixa. Se ela diz que foi sovada, porque é que, mais tarde, pediu para voltar para casa? Ela quer é dinheiro”.
Refira-se, a este respeito, que o acordão do tribunal contém a seguinte apreciação acerca de Branca Cecília: “Teve um discurso em que a tónica dominante pareceu muito ligada a interesses materiais, em vez daquela que deveria ser a natural preocupação com o filho”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)