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Correio da Manhã

Portugal

BICICLETA MATA MIÚDO

Uma colisão entre um automóvel e uma bicicleta causou a morte do condutor desta, Filipe André, de 14 anos, pelas 17h50 de anteontem, na rua Padre Abel Jardim, no bairro do Casal dos Machados, nos Olivais, em Lisboa.
28 de Agosto de 2003 às 01:33
Como quase diariamente faziam, o Filipe e mais alguns amigos juntavam-se para passar o tempo, nomeadamente a andar de bicicleta, numa rua geralmente de pouco trânsito, mas bastante perigosa, pela existência de uma curva apertada, quase sem visibilidade, depois de uma descida acentuada.
O acidente ocorreu quando o menor, ao conduzir a bicicleta no sentido descendente da rua, surgiu por detrás de uma carrinha, junto à curva fechada, e acabou por ser colhido por um carro que vinha em sentido contrário, perante o olhar horrorizado de dois amigos do rapaz, um dos quais o dono do velocípede.
“Vinha uma camioneta e o carro desviou-se da camioneta e bateu no Filipe” – contou ao CM Marco, um dos amigos do Filipe que assistiu ao acidente e que lhe tinha emprestado a bicicleta. “Ele bateu com a cabeça no vidro e caiu para trás”, explicou.
“O rapaz surgiu de repente e não houve hipótese para nada. O meu irmão já não se conseguiu afastar”, contou, por sua vez, Paulo Nascimento, irmão do condutor do automóvel, Fernando Nascimento, de 28 anos, recordando o que lhe foi contado pelo irmão e por várias testemunhas do acidente.
Paulo Nascimento é também um responsável da Associação de Moradores Infante D. Henrique, colectividade do bairro do Casal dos Machados.
A notícia da morte de Filipe abalou o bairro, tanto mais que se tratou de um acidente envolvendo um menor. “Fiquei desesperado, porque quando vi o miúdo caído, lembrei-me que o meu filho também anda de bicicleta”, disse Paulo Nascimento.
O próprio condutor do automóvel entrou em estado de choque perante o sinistro em que acabara de intervir.
Lídia Jesus, mãe de Filipe, era ontem uma mulher destroçada pelo desgosto da perda do filho. “Quando cheguei já ele estava junto da ambulância e só vi que tinha uma ferida numa perna”, disse, com a voz embargada pela emoção, enquanto alguns familiares a reconfortavam. Segundo uma testemunha contou, quando recebeu a notícia de que o filho sofrera o acidente e que falecera, Lídia Jesus nem queria acreditar.
A PSP tomou conta da ocorrência e o Ministério Público ordenou a abertura de um inquérito para se apurarem as responsabilidades do acidente. No local do acidente, uma tosca cruz de madeira e um ramo de flores assinala a tragédia.
PORTUGAL LIDERA ACIDENTES COM VELOCÍPEDES
Durante o ano de 2002 houve 1413 acidentes envolvendo velocípedes, os quais foram responsáveis por 3,5 por cento das mortes resultantes em sinistros rodoviários em Portugal, segundo dados da Direcção-Geral de Viação. Estes números colocam o nosso país com a maior e mais grave sinistralidade nesta área, dentro da União Europeia.
Deste total de acidentes com bicicletas, 1215 foram colisões, 143 despistes e 55 atropelamentos. Por sua vez, 1142 ocorreram dentro de localidades e 271 fora.
Um estudo da Universidade de Medicina de Washington, de Matew J. Thompson e Frederick Rivara, aponta que os traumatismos cranianos são responsáveis por 60 por cento dos óbitos em desastres com velocípedes.
ESTUDO REVELA
RISCO
Um estudo da Universidade de Medicina de Washington, EUA, aponta para as principais condições de risco de acidentes de bicicletas: sexo masculino, idade entre 9 e 14 anos, Verão, fim de tarde ou início da noite, falta de capacete, automóvel envolvido, ambiente inseguro, ciclista portador de distúrbio psiquiátrico, intoxicação (álcool ou outras drogas) e competições.
CAUSAS
O mesmo estudo revela que as principais causas de acidentes com estes veículos são: falha do ciclista, como perda de controlo, inexperiência, realização de acrobacias a alta velocidade, falha do motorista do outro veículo envolvido, ambientes perigosos (cascalho e obstáculos) e problemas de mecância na bicicleta. Em geral, as colisões com outros veículos e a alta velocidade são fatais.
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