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Correio da Manhã

Portugal

Bispo conta com apoio estatal "na medida das possibilidades"

O bispo do Porto, Manuel Clemente, afirmou esta sexta-feira que o braço social da Igreja conta com o Estado, "na medida das possibilidades", para continuar a responder eficazmente às situações de emergência.
23 de Dezembro de 2011 às 20:07
"Ainda esta semana ouvi um pároco de uma das zonas mais pobres do Porto dizer que na distribuição de cabazes de Natal foram muito mais as ofertas do que as de anos anteriores. E é uma zona pobre", relatou
'Ainda esta semana ouvi um pároco de uma das zonas mais pobres do Porto dizer que na distribuição de cabazes de Natal foram muito mais as ofertas do que as de anos anteriores. E é uma zona pobre', relatou FOTO: Bruno Colaço

O bispo do Porto falava aos jornalistas após receber no Paço Episcopal o secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Marco António Costa, que lhe apresentou cumprimentos de Natal e lhe entregou um presépio feito numa instituição de apoio a deficientes de Ermesinde, Valongo.  

"Contamos absolutamente com o Estado, na medida das possibilidades, como gestor dos nossos bens comuns, para que estas prioridades [relacionadas com a emergência social] sejam isso mesmo, prioridades", disse o prelado, depois de referir as dificuldades que lhe transmitiram provedores de misericórdias da área da sua Diocese.  

A declaração do bispo do Porto surge na linha das preocupações expressas dia 13, em Fátima, pelo Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CP-CEP), de que Manuel Clemente é vice-presidente.  

Na altura, o secretário da CP-CEP, padre Manuel Morujão, pediu ao Governo maior colaboração com as instituições de solidariedade da Igreja Católica, considerando que "bastantes delas, sentem dificuldades em conseguir manter as portas abertas, para servir as urgências que batem à porta".  

Referindo-se à solidariedade dos portugueses para com os cidadãos que entraram em carência extrema, o prelado do Porto considerou que "às vezes, os pobres são os que estão na primeira linha da generosidade".  

"Ainda esta semana ouvi um pároco de uma das zonas mais pobres do Porto dizer que na distribuição de cabazes de Natal foram muito mais as ofertas do que as de anos anteriores. E é uma zona pobre", relatou.  

Questionado sobre as dificuldades das instituições da Igreja em responder eficazmente ao crescendo de pedidos de ajuda, o secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social afirmou que o Governo está "em permanente diálogo" com os representantes das instituições sociais para encontrar soluções que garantam a sua sustentabilidade e permitam novas respostas "face à dimensão que os problemas vão adquirindo".  

Marco António Costa garantiu que o Governo tem encontrado "um espírito de mobilização da rede social do país para combater esta situação de dificuldade social" e reiterou que o Estado continua a privilegiar, nesta área, a parceria com instituições no terreno.  

"Dissemos desde a primeira hora que sozinhos não eramos capazes de responder a esta grave crise social", recordou.  

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