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Correio da Manhã

Portugal
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Bombas mal usadas

Os doentes asmáticos, cerca de um milhão em Portugal, falham no tratamento da doença por não utilizarem correctamente os inaladores. A ineficácia deve-se à falta de informação por parte de médicos e farmacêuticos.
3 de Maio de 2006 às 00:00
Marianela Vaz, de 64 anos, é médica imunoalergologista e asmática desde os 23 anos. Falando do que conhece bem, aponta o dedo aos médicos pela falta de indicações sobre o modo correcto de usar as vulgarmente chamadas bombas. “Os médicos prescrevem os dispositivos para inalação mas depois não têm tempo para explicar aos doentes como devem ser correctamente utilizados. O doente, depois, não os sabe usar e a eficácia do tratamento fica comprometida.”
A agravar a situação, “os dispositivos também não são fáceis de manejar”, acrescenta Marianela Vaz.
Um tratamento incorrecto faz com que o doente asmático tenha mais crises respiratórias e falta de qualidade de vida. “O doente acaba por faltar à escola e ao trabalho, por recorrer aos serviços de Urgência e por necessitar muitas vezes de internamento no hospital.”
Quem também acusa a falta de informação médica é o especialista Segorbe Luís, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, que defende a necessidade de sensibilizar os clínicos para que prestem aos doentes os esclarecimentos necessários sobre os inaladores. “Há uma subutilização dos tratamentos porque o médico nem sempre dá explicações sobre a melhor forma de usar os dispositivos. Seria importante fazer uma campanha dirigida aos médicos para que prestem mais informação ao doente.”
Segundo aquele pneumologista, o tratamento da asma é limitado, porque o doente recebe apenas um terço da dose do remédio, a única quantidade que chega aos brônquios. “A restante parte fica retida na faringe e não produz efeito.”
CONTROLAR A DOENÇA
O controlo passa pela educação do doente que, segundo Marianela Vaz, pode levar uma vida normal.
Para ajudar o asmático a melhorar a qualidade de vida e não cometer erros na administração do inalador, começou ontem uma campanha de informação em 1600 farmácias, que decorre até sábado. Maria da Luz Sequeira, vice-presidente da Associação Nacional das Farmácias, explicou alguns procedimentos incorrectos: “Após a inalação do medicamento, o doente devia fazer exercícios de respiração, mas não faz. Nas farmácias é explicado o que deve e não deve fazer.”
BLOCO DE NOTAS
SINTOMAS
A asma é uma doença respiratória que provoca tosse, pieira, dificuldade em respirar. Os doentes devem evitar ambientes poluídos.
TESTE
Nas farmácias, até sábado, os asmáticos recebem um Teste de Controlo da Asma com cinco perguntas. Ao responder, fazem a auto-avaliação do controlo da doença.
MORTALIDADE
Estima-se entre 600 mil e um milhão o número de portugueses que sofrem de asma, cuja doença, se não for devidamente tratada, pode conduzir à morte. Existem cerca de 100 especialistas.
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