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Correio da Manhã

Portugal
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Bombeiro conduzia ambulâncias sem ter carta

Um voluntário dos Bombeiros de Riba de Ave, Famalicão, conduzia ambulâncias sem ter carta, uma ‘aventura’ que apenas terminou quando seguia em marcha de emergência e teve um acidente, sendo então "apanhado" pela GNR, divulgou a autoridade esta quarta-feira.
21 de Março de 2012 às 19:44
Acidente de Joaquim Nunes registou-se a 30 de Dezembro, quando conduzia uma ambulância em marcha de emergência
Acidente de Joaquim Nunes registou-se a 30 de Dezembro, quando conduzia uma ambulância em marcha de emergência FOTO: Sérgio Lemos

Em carta enviada à agência Lusa, o bombeiro Joaquim Nunes, que diz ter sido entretanto despedido da corporação, garantiu que o comandante sabia que ele não tinha carta mas mesmo assim dava-lhe "ordens" para conduzir as viaturas.

Por seu turno, o comandante Manuel Antunes disse que "obviamente não sabia de nada", caso contrário "nunca o deixaria conduzir" qualquer viatura dos bombeiros.

"Acha que, como responsável operacional, ia pôr a minha cabeça no cepo? E se acontecesse um acidente em que morresse alguém, quem ia assumir a responsabilidade? Obviamente, eu não sabia de nada", sublinhou.

O acidente de Joaquim Nunes registou-se a 30 de Dezembro, quando conduzia uma ambulância em marcha de emergência.

Chamada ao local, a GNR constatou que o bombeiro não tinha carta de condução, pelo que foi constituído arguido, estando a decorrer um processo no tribunal de Famalicão.

"Admito a minha culpa em conduzir a ambulância sem carta de condução, mas, para ganhar os 200 euros que ganhava, não podia recusar nenhum serviço nem ordem", justificou Joaquim Nunes.

Garantiu ainda que sempre foi um bombeiro e funcionário "exemplar", cumprindo horários e "chegando a trabalhar doze horas seguidas".

Acrescentou que, apesar de ter a categoria de maqueiro, sempre obedeceu a todas as ordens e serviços, desde conduzir a ambulância até cortar a relva do jardim do quartel.


O comandante da corporação confirmou que, "quando era preciso", Joaquim Nunes conduzia as viaturas dos bombeiros, sem no entanto conseguir especificar quando começaram as "corridas à margem da lei" daquele voluntário.

Disse ainda que mal soube que Joaquim Nunes não tinha carta o proibiu de conduzir, mas negou que o tivesse despedido.

"Ele é que se despediu, assinou um documento a despedir-se", afirmou.

Joaquim Nunes alega que assinou aquele documento, a 26 de Fevereiro, sem ter noção do que estava a assinar, já que nem sequer o leu.

"Ainda hoje me questiono como fui exonerado sem ser aberto um inquérito e instaurado um processo disciplinar. A minha indignação é ainda maior por saber que outros casos graves aconteceram e nada foi feito sendo até as pessoas em causa protegidas, e os acontecimentos ocultados pelo comandante e pela direcção", criticou.

Disse, a título de exemplo, que o agora chefe das equipas de intervenção permanente da corporação conduziu um veículo pesado sem estar habilitado para o efeito, e que o próprio comandante transportou numa só ambulância, para o Hospital de Riba de Ave, quatro feridos graves vítimas de explosão, "quando já vinham a caminho as viaturas médicas e o helicóptero do INEM".

O comandante confirmou estes factos mas disse que "já estão devidamente esclarecidos e enterrados há muito".


Joaquim Nunes apontou ainda o caso de um bombeiro de 1ª. classe e outros de 3ª. que "foram para o Facebook enxovalhar um chefe, de tal forma que este se sentiu mal e teve de ir para o hospital", e de um motorista que, numa transferência hospitalar, entrou em contramão na auto-estrada (A7).

"Nenhuma destas pessoas foi obrigada a assinar a exoneração, não existiu também qualquer processo disciplinar, nem sequer a abertura de qualquer inquérito", criticou, para vincar a "injustiça" do seu despedimento.

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