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Correio da Manhã

Portugal
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Bombeiros em lágrimas

É honroso ver tanta gente no funeral desta jovem. Demonstra a solidariedade e carinho que têm não só por ela mas pela instituição que são os bombeiros”, afirmou ontem o padre José Traquina, nas cerimónias fúnebres da bombeira que morreu sexta-feira em Porto de Mós.
13 de Agosto de 2006 às 00:00
Meio milhar de pessoas, entre familiares, bombeiros e outros amigos acompanharam a jovem à sua última morada
Meio milhar de pessoas, entre familiares, bombeiros e outros amigos acompanharam a jovem à sua última morada FOTO: Francisco Gomes
Meio milhar de pessoas, entre familiares, amigos e bombeiros, compareceu no Cemitério da Roliça, no Bombarral, onde Viviana Lourenço Dionísio, de 29 anos, foi sepultada. Antes, foi rezada missa na Igreja do Bombarral, de onde era natural.
No Cemitério da Roliça, as lágrimas e o pesar dominaram a altura em que a urna foi aberta para a última despedida. Quando o caixão desceu para a cova, bateram-se palmas em sua homenagem.
O pároco do Bombarral deixou uma mensagem de alento aos bombeiros: “O lema vida por vida é de grande elevação. Os bombeiros socorrem os problemas dos outros seres humanos, colocam-se em risco por uma causa humanitária. Mantenham-se unidos”.
Ontem ainda não era conhecida a causa da morte de Viviana Dionísio, que foi encontrada morta em Porto de Mós, na cabina da viatura de comando operacional e comunicações (VCOC), na sexta-feira de manhã. Inalação de fumos ou paragem cardíaca, são as duas possibilidades avançadas.
Viviana Dionísio era bombeira desde os quinze anos e trabalhava no Centro Distrital de Operações de Socorro de Leiria como operadora de comunicações.
CHAMAS ACTIVAS
As chamas continuam a massacrar as serras de Porto de Mós, que ontem voltou a ser um dos concelhos mais fustigados pelo fogo. A noite foi de vigília, com a população a ajudar os bombeiros a manter a salvo os seus haveres.
“Ele já a está a saltar por ali, vai quase em Serro Ventoso”, dizia um morador da aldeia de Figueiredo, situada num vale junto à serra, que durante toda a noite não arredou pé da sua casa.
Pelas seis horas da madrugada as chamas foram dadas como circunscritas, mas os bombeiros mantiveram-se no local em operações de vigilância, apoiados por viaturas terrestres. Só que, por volta das 14h30 houve duas reactivações na zona da Boieira e foi preciso voltar a pedir a ajuda de meios aéreos, entre os quais dois helicópteros.
A tarde foi de muito trabalho para os quase 300 bombeiros, que conseguiram circunscrever as chamas por volta das 19h00. Nesta semana, o fogo devastou uma área de dois mil hectares de mato e floresta que está integrada no Parque Natural das serras de Aire e Candeeiros.
SEXTA-FEIRA BATE RECORDE DE INCÊNDIOS
Sexta-feira foi o dia do ano que registou maior número de incêndios florestais: 579 fogos. Mobilizaram um total de 7586 bombeiros e 2020 viaturas. Esta foi, de resto, a semana mais negra, não só deste ano como dos últimos quatro, com uma média diária superior a 500 ocorrências.
Ontem, o dia amanheceu relativamente tranquilo. Havia, apenas, registo de quatro situações, três das quais relativas a incêndios circunscritos. No entanto, a partir do início da tarde, as chamas irromperam um pouco por todo o País, com especial incidência no Norte e Centro. Em Arcos de Valdevez, um fogo que deflagrou na terça-feira continuava a preocupar os 77 bombeiros envolvidos. Um avião Canadair e dois aerotanques anfíbios Air Tractor estiveram também no teatro das operações. E em Oliveira de Azeméis, na zona de Vermoim, o fogo que deflagrou na sexta-feira sofreu uma reactivação. Situação complicada viveu-se, também, em Sever do Vouga.
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