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Correio da Manhã

Portugal
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Bombeiros fazem teste aos pulmões

Cerca de 130 bombeiros voluntários, pertencentes a 15 corporações do distrito de Aveiro, estão a ser chamados para um rastreio médico inédito em Portugal. Os homens e mulheres que combateram durante vários dias um incêndio numa fábrica de reciclagem de pneus em Ovar, no passado mês de Julho, vão despistar eventuais danos pulmonares, resultantes da inalação de partículas tóxicas e cancerígenas.
14 de Setembro de 2007 às 00:00
Centenas de bombeiros estiveram sujeitos a fumos tóxicos
Centenas de bombeiros estiveram sujeitos a fumos tóxicos FOTO: Ricardo Estudante
O primeiro alerta para a necessidade de estudar a fundo as repercussões deste incêndio partiu da pneumologista Cecília Longo, chefe de serviço no Hospital Amadora-Sintra e dirigente da Associação Chama Saúde, que desde este ano testa e monitoriza a saúde dos bombeiros portugueses.
“A combustão de pneus é das mais gravosas para a saúde. Nos fumos são libertadas partículas químicas irritantes, carcinogénicas, dioxinas e PM10, que penetra no pulmão profundo”, refere a clínica e investigadora.
Cecília Longo garante que não quer ser alarmista mas, além de aconselhar o rastreio médico aos bombeiros, acredita que as autoridades de saúde pública deviam fazer o mesmo com a população. Pelo menos nas pessoas que contactaram com a nuvem negra produzida pelas dez mil toneladas de pneus a arder, que tingiu o céu de negro ao longo de várias dezenas de quilómetros. “Há anos ocorreu um incêndio deste género na Califórnia e os bombeiros e populações vêm sendo acompanhados deste então”, diz.
No que toca aos bombeiros, o Centro Distrital de Operações e Socorros (CDOS) de Aveiro não se pronuncia sobre este assunto, mas o CM sabe que está a ser efectuado um levantamento de todos os operacionais envolvidos no combate a este incêndio. A iniciativa do rastreio, que tem o aval do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, está a ser coordenada pelo CDOS, mas ainda não existe uma data marcada para os primeiros exames.
Ao que o CM apurou, após o rastreio deverão ser elaborados relatórios a remeter às companhias de seguros, para acautelar qualquer sintoma que possa surgir no futuro, e que possam estar relacionados com a inalação de fumos tóxicos.
ASSOCIAÇÃO SEM APOIOS
A Associação Chama Saúde, criada este ano, quer cuidar da saúde de todos os bombeiros, mas debate-se ainda com a escassez de apoios. “O objectivo é criar uma base de dados com pelo menos três a quatro mil indivíduos para estudar a incidência das doenças, por exemplo pulmonares, e criar um plano de prevenção”, refere a dirigente Cecília Longo.
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