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Correio da Manhã

Portugal
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BOMBEIROS PEDEM IGUALDADE

Três centenas de bombeiros profissionais de todo o País manifestaram-se ontem, em Coimbra, para exigir à Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) que seja "o barómetro da protecção e segurança do País" e faça "o nivelamento das desigualdades" entre as várias corporações.
20 de Agosto de 2002 às 22:05
As reivindicações apresentadas prendem-se com "desigualdades" no horário de trabalho, que varia entre as 8 e as 12 horas por turno, nas remunerações e na formação profissional, representadas na manifestação pela frase "somos mais iguais nas fardas e são todas diferentes".

Vestidos com a farda de trabalho, os manifestantes empunharam cartazes a acusar os "políticos" de "só se lembrarem dos bombeiros quando há fogos".

No autocolante que traziam na lapela deixaram um aviso: "O tempo do deixa arder já lá vai!... e nessa altura muitos se queimaram nas chamas do desinteresse ou nas labaredas do desconhecimento", escreveram em protesto.

Segundo Fernando Curto, presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), era "importante que a ANMP assumisse o papel de uniformizar os critérios das câmaras municipais", que estão a "alhear-se da sua responsabilidade na protecção e segurança dos munícipes".

Falta de diálogo

Durante três anos, a ANBP tentou marcar uma audiência com os responsáveis da ANMP para apresentar as suas "preocupações" e um conjunto de "projectos legislativos", mas esse agendamento não foi considerado "oportuno", pelo que decidiram "denunciar os problemas que continuam a agravar-se".

O caderno reivindicativo dos bombeiros profissionais foi entregue ao único funcionário disponível para o receber e não foi justificada a posição da ANMP.

Fernando Curto acredita que "a situação vai mudar", porque "a segurança das pessoas é importante", mas adianta que a manifestação foi "o começo de uma luta que se vai fazer por todo o País, com o objectivo de demonstrar às pessoas as condições em que os bombeiros profissionais executam a sua missão".

As próximas manifestações serão à porta das câmaras municipais "mais renitentes" em "uniformizar os critérios" e em "investir na protecção e segurança dos munícipes".
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