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Correio da Manhã

Portugal
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Bombeiros ponderam boicote aos incêndios

Ainda antes da promulgação da Lei da Proteção Civil, congresso da Liga aprovou apelo a boicote aos Grupos de Reforço contra fogos.
Miguel Curado 26 de Março de 2019 às 09:03
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Ainda antes da promulgação da Lei da Proteção Civil, congresso da Liga aprovou apelo a boicote aos Grupos de Reforço contra fogos.
A promulgação da lei orgânica da Proteção Civil pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no domingo, não foi bem aceite pelos bombeiros.

Horas antes, a direção da Liga de Bombeiros Portugueses (LBP) já tinha feito aprovar uma moção em que se faz um apelo ao boicote aos Grupos de Reforço de Bombeiros no âmbito do dispositivo de combate a fogos do próximo verão. E não são de descartar mais protestos.

Carlos Jaime, presidente da Associação de Comandantes, disse ao CM que "Marcelo Rebelo de Sousa se precipitou na promulgação da lei orgânica". "Achamos que podia ter consultado a Liga dos Bombeiros mais uma vez", acrescentou.

Jaime Marta Soares – que no final do Congresso de sábado, em Aveiro, apelou à rebelião dos bombeiros – foi mais comedido. O presidente da LBP disse ao CM que a direção da Liga vai reunir-se na quinta-feira para decidir os próximos passos. "Esta é uma lei para aplicar até 2021. Acreditamos no diálogo com o Governo", frisou.

Nos corpos de bombeiros, no entanto, a revolta é grande. Joaquim Leonardo, comandante da corporação de Algueirão, Sintra, diz que as negociações com o Governo "não alcançaram nada de positivo". "Falta comando único e faltam incentivos ao voluntariado", denuncia.

Nélio Gomes, presidente do Observatório dos Bombeiros Portugueses – que diz não ser um contrapoder à LBP – defende que "a promulgação é mais um episódio que prova que os bombeiros precisam de uma nova presidência na Liga".

PORMENORES 
Cinco comandos
A nova lei orgânica da Proteção Civil vai acabar com os atuais 18 comandos, criando em seu lugar cinco comandos regionais e 23 sub-comandos regionais, integrados nas Comunidades Intermunicipais.

Reforço negado
Caso se concretize, o boicote dos bombeiros ao dispositivo de verão levará a que não se enviem Grupos de Reforço distritais para vigilância e combate em locais de maior incidência de fogos.

Três direções
A nova Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil vai contar com a Direção de Prevenção e Gestão de Riscos, Direção de Administração de Recursos e Direção
de Bombeiros.
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