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Correio da Manhã

Portugal
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Brinquedos para crianças deficientes

Com o Natal à porta, há quem se preocupe em adaptar brinquedos para poderem ser usados por meninos que não podem brincar com os bonecos que se vendem nas lojas. Uma forma de alegrar quem mais merece.
17 de Dezembro de 2006 às 00:00
Brinquedos para crianças deficientes
Brinquedos para crianças deficientes FOTO: António Rilo
O nascimento de Diogo, com paralisia cerebral, despertou o casal Carla e Pedro Faria para a falta, no mercado, de brinquedos adaptados para crianças deficientes. Os poucos que existiam eram caros – os preços ultrapassavam os 100 euros – e já antigos. Mas essa dificuldade, longe de os desanimar, fê-los pôr mãos à obra e ‘transformar’ a casa onde moram, em Vila Nova de Gaia, numa verdadeira oficina de adaptação de brinquedos. Pela mesa da sala de jantar do casal têm passado, nas últimas semanas, diferentes versões do ‘Homem-Aranha’, do ‘Noddy’ e muitos outros bonecos electrónicos.
Depois de adaptados, passam a funcionar apenas com um simples toque (de mão, de pé e até mesmo de cabeça), tornando-se acessíveis a crianças com deficiência – desde as que têm limitações motoras às que as têm cognitivas e mentais.
A transformação é feita através de uma alteração do circuito eléctrico do brinquedo, que permite que este funcione através de um botão de pressão, mantendo as funcionalidades originais. Esta adaptação é feita em brinquedos electrónicos que funcionam a pilhas, pelo que, à partida, qualquer brinquedo com estas características pode ser alterado. “O meu filho mostrou-me que, quando se pensa em soluções, estas têm de ser para todos e não só para alguns”, disse ao CM Carla Faria, mãe de Diogo, agora com 15 anos.
A oficina caseira tem cada vez mais movimento, dada a ‘chuva’ de pedidos que todos os dias recebe de norte a sul do País.
Os pais de Diogo contam também com a colaboração especial de uma turma de alunos de uma licenciatura ligada à electrónica da Universidade do Minho, que começou a colaborar com o casal de uma forma voluntária e gratuita. Os amigos de Carla e de Pedro Faria também ajudam, quando podem. O hipermercado Jumbo, de Gaia, oferece os brinquedos.
“Há pessoas com um coração enorme”, diz Carla, acrescentando que o trabalho que tem com a transformação dos bonecos é compensado com o sorriso das crianças que nunca tiveram um brinquedo. No Natal de 2005, cerca de 100 crianças receberam os brinquedos. Este ano, pelo menos 80 meninos também vão ter essa surpresa.
CARLA FARIA
Carla Faria nasceu há 41 anos em Luanda. Veio para Portugal com onze e actualmente desenvolve ‘software’ educativo. Vive em Vila Nova de Gaia, é casada com Pedro Faria e tem três filhos: Diogo, de 15 anos, Bruno, de dez, e Catarina, de sete.
ACESSIBILIDADE ELECTRÓNICA
Está a decorrer a recolha de assinaturas para a Petição pela Acessibilidade Electrónica, com o objectivo de levar o Parlamento a legislar sobre problemas de (in)acessibilidade em diversas áreas no que diz respeito aos mais de dois milhões de cidadãos com necessidades especiais. Em www.lerparaver.com/acessibilidade.
PLÁSTICO E LATAS AJUDAM
A Empresa de Resíduos Sólidos Urbanos do Centro (ERSUC) entregou à Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral vários equipamentos que vão facilitar a vida das crianças. Foi o resultado da campanha ‘Onde está o plástico? E as latas?’, que recolheu 2500 toneladas daqueles resíduos.
CONCERTO SOLIDÁRIO
Na terça-feira, 19 de Dezembro, realiza-se um Concerto de Natal, no cinema S. Jorge, em Lisboa, às 21h30, com a participação de Nuno Guerreiro e Jonita Lattimore. Este espectáculo de espirituais negros/ /gospel reverte a favor da Associação Portuguesa de Pessoas com a Doença de Alzheimer.
TRANSPORTES NA MADEIRA
Foi apresentado na Assembleia Legislativa da Madeira um projecto de resolução para assegurar o transporte de pessoas com deficiência.
TESTEMUNHOS EM LIVRO
A Câmara Municipal e a Associação de Socorros Mútuos Marítima e Terrestre da Vila de Sesimbra editaram o livro ‘Há uma Luz. A Mais-valia da Pessoa Deficiente na Comunidade’. Apresenta o testemunho de 24 sesimbrenses com as actividades mais diversas, de médico a pescador, com uma coisa em comum: a deficiência.
CABAZ PARA NECESSITADOS
A Associação de Moradores do Bairro dos Bombeiros de Castro Verde, com o apoio do comércio local, promove o sorteio de um ‘megacabaz’ de Natal com centenas de produtos. Com os lucros da iniciativa, os promotores da ideia vão doar duas televisões à CERCICOA e à APADIJ, duas instituições que trabalham com crianças carenciadas.
'RECUEMOS POR PEDRO HENRIQUE LOPES'
Este texto foi o vencedor da edição de Dezembro do Concurso Assis Milton. Consulte o regulamento em www.ajudas.com.
“Recuemos. Somos a história folheada página a página; e depois da história, outra história, de que não fazemos ideia. Centremo-nos nos nossos limites. Sejamos possíveis, já que somos separáveis. Cada um a milésima divisão do um que é a sua adição ao mesmo tempo, formando o um que sobra. Que resta. E que se escreve nas páginas dos jornais. Avancemos. Destinados? Pode bem ser que a nada. Em especial. O que nos toma iguais, não se distingue de nenhum outro fenómeno, e essa certeza comporta tudo, mesmo que esteja errada. Mesmo que sejamos um exercício de absurdo vivo, ele próprio a ler e a escrever jornais por nós. Assumamos. O nada que somos; que se formos, somos iguais sendo-o. Até prova em contrário. E daí voemos para o tudo, esse direito soprado pelo que foge ao ouvido da criatura pela qual vive: O de sonhar. E o de ser, mesmo que não se seja. Sem subtracção. Que ele, como se sabe, não admite.”
Este texto, da autoria de Pedro Henrique Sequeira Lopes, de 24 anos, residente em Alcabideche, Cascais, foi o vencedor do mês de Dezembro do Concurso Textos Inclusivos Assis Milton. O objectivo é divulgar autores portugueses e aspectos relativos à cultura literária; valorizar a inclusão e integração da pessoa com deficiência e promover a escrita criativa.
Por lapso, na edição do dia 3 não foi divulgado o nome da vencedora do concurso de Novembro: Sandra Maria Ferreira Estêvão Rodrigues, 32 anos, de Braga.
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